EXECUÇÃO
DE PROJETOS COM VISTA A IMPERMEABILIZAÇÃO
2. CLASSIFICAÇÃO DAS IMPERMEABILIZAÇÕES
2.1.
Classificação de acordo com a atuação da água
2.2.
Classificação quanto ao comportamento físico do elemento da construção
4. TEORIA DO FUNCIONAMENTO DA IMPERMEABILIZAÇÃO
4.2.1. Vedação por introdução de aditivos no concreto ou na
argamassa
4.2.2. Vedação por tamponamento
4.2.3. Vedação por meio de mantas asfálticas
4.3. Soluções
básicas para a impermeabilização
4.4. Influência
do substrato e da pavimentação
5. CARACTERÍSTICA E DESEMPENHO DAS MANTAS
7.1. Escoamento
das águas em coberturas planas
7.2.1. Contorno da área a impermeabilizar
8.2. Como vedar
as juntas nas estruturas
8.5. Execução de
juntas com mantas asfálticas
9.1.4. De pátios de estacionamento
10. A OPÇÃO ENTRE TELHADO E IMPERMEABILIZAÇÃO
10.1.............................................. Efeito isolante
10.2.......................................... Segurança e custos
11. TRATAMENTO PARA FACHADAS EXPOSTAS À CHUVA DE VENTO
12. IMPERMEABILIZAÇÃO DE ÁREAS NÃO EXPOSTAS AO TEMPO
EXECUÇÃO
DE PROJETOS COM VISTA A IMPERMEABILIZAÇÃO
O arquiteto, ao
realizar um projeto para qualquer tipo de construção, deve preocupar-se com os
problemas de impermeabilização já durante a fase de elaboração do mesmo.
É corrente a prática de
deixar as soluções desses problemas para serem resolvidas pelo construtor,
quando na realidade devem fazer parte do projeto.
Este capítulo tem por
finalidade oferecer aos arquitetos alguns subsídios pêlos quais possam orientar
suas especificações.
Os materiais e sistemas de impermeabilização devem ser
escolhidos conforme as circunstâncias em que serão usados. Relativamente a essas circunstâncias, as
impermeabilizações podem ser classificadas em duas formas principais:
a) de
acordo com a atuação da água sobre o elemento da construção;
b) de
acordo com o comportamento físico do elemento da construção.
Sob este aspecto, temos as impermeabilizações:
-
contra água de percolação
-
contra água com pressão
-
contra umidade por capilaridade.
Água de percolação é a
que atua em terraços e coberturas, empenas e fachadas, onde existe livre
escoamento, sem exercer pressão hidrostática sobre os elementos da construção.
Água com pressão é a que atua em subsolos, caixas d'água, piscinas,
exercendo força hidrostática sobre a impermeabilização.
Umidade por capilaridade é a ação da água sobre os elementos das
construções que estão em contato com bases alagadas ou solo úmido. A água é absorvida e transportada, pela ação
da capilaridade de materiais porosos, até acima do nível estático.
Sob este aspecto, temos as impermeabilizações:
-
de elementos da construção onde normalmente se prevê a ocorrência
de trincas
-
de elementos da construção não sujeitos a fissuramento e trincas.
Elementos de construção onde normalmente se prevê a ocorrência de
trincas são as partes da obra sujeitas a alterações dimensionais provenientes
do aquecimento e do resfriamento, ou a recalques e movimentos estruturais, como
as lajes contínuas passando sobre vigas, marquises em balanço, etc.
Caixas d'água elevadas também se enquadram neste item, devido ao
diferencial térmico acentuado entre a água e as paredes e a tampa da caixa,
aquecidas pela irradiação solar, e porque, ao serem enchidas, o peso adicional provoca
movimentos.
Elementos de construção não sujeitos a fissuramentos e trincas são
as partes da obra com carga estabilizada, em condições de temperatura
relativamente constante (como acontece geralmente em subsolos ou onde o
concreto permaneça em compressão).
Não obstante esta generalização, trincas e falhas no concreto podem
ocorrer por contração durante o processo de cura, deficiências de execução
devido a falhas no lançamento do concreto e granulometria dos agregados,
acomodação do terreno, abalos causados por obras vizinhas, passagem de veículos
pesados, e terremotos.
Relativamente à forma e aos materiais usados em sua execução,
existem três tipos principais de impermeabilizações:
- rígidas
- plásticas ou elásticas
- laminares.
As impermeabilizações rígidas são os concretos que se tornam
impermeáveis pela inclusão de um aditivo, e os revestimentos com argamassas,
tratados da mesma forma.
São impermeabilizações feitas com mantas pré-fabricadas ou com
elastômeros dissolvidos e aplicados no local, em forma de pintura ou melação em
várias camadas e que, ao se evaporar o solvente, deixam uma membrana
hipoteticamente elástica.
Os produtos que se apresentam em forma dissolvida são: Neoprene e
Hypalon, emulsões asfálticas, emulsões acrílicas e outros tipos de
termoplásticos ou elastômeros dissolvidos.
Na opinião dos autores as impermeabilizações feitas por pintura ou
melação devem ter seu uso restrito a figuras geométricas, que mantêm o concreto
em compressão, impossibilitando a formação de trincas e fissuras, ou quando a
impermeabilização ficar exposta ao tempo.
Em lajes planas e onde a impermeabilização é coberta por uma
pavimentação ou qualquer lastro, o uso de mantas é indicado, pêlos motivos
expostos no item 4.2.3.
As mantas para impermeabilização são feitas de borracha butílica, de PVC
plastificado e de asfalto com armadura.
A antiga norma da A.B.N.T.-NBR 9952 "MANTAS ASFÁLTICAS PARA
USO NA IMPERMEABILIZAÇÃO" estabelecia uma relação entre carga de ruptura e
o respectivo alongamento obtido no ensaio de tração de uma manta para uso na
impermeabilização. Este relacionamento é expresso por um valor que é obtido
multiplicando-se a carga de ruptura, expressa em N (Newtons), pelo alongamento,
expresso como percentual, e é chamado "Produto Carga -
Deformação". A Norma dividia as
mantas em duas classes:
Classe l - Manta Normal
Classe 2 - Manta de Alta Resistência.
A classe em que uma manta se enquadra depende de sua resistência à
tração, do alongamento e do "Produto Carga - Deformação". Estes valores têm relacionamento direto
com o tipo de armadura usado.
Relacionamos na tabela no. l os tipos de armadura mais
usados e os respectivos valores para a carga de ruptura, alongamento e
"Produto Carga - Deformação".
A análise dos valores acima apresentados revela que, com exceção
das mantas armadas com véu de vidro, as demais possuem boa capacidade de
alongamento, e as impermeabilizações executadas com estas mantas podem ser
consideradas como sendo plásticas ou elásticas. Neste item não vamos abordar o mérito de cada uma das armaduras
ou mantas citadas, que será assunto para o item 5 deste capítulo.
São as
impermeabilizações executadas com asfalto ou elastômeros, armadas ou
estruturadas pela intercalação de materiais rígidos, com feltros asfálticos,
tecidos de "nylon", tecidos de vidro, tecidos de juta e lâminas de
alumínio. São também denominadas
pinturas armadas ou melações armadas, e são feitas "In loco"
A água penetra em construções essencialmente por três caminhos:
a)por trincas e
rachaduras;
b)pêlos poros do
material;
c) por falhas no material: brocas, ninhos no
concreto e fendas junto às ferragens;
d)por falta de arremate
adequado acima do nível do perímetro da área plana;
e)pelo fado externo do
paramento que confina as áreas planas.
a) No concreto:
Obtida pelo emprego de aditivos, aliada à determinação correta da
granulometria dos agregados, à relação água/cimento e pelo perfeito controle do
lançamento e compactação do concreto (vibração).
b) Na argamassa:
Caso o concreto ou as paredes de alvenaria fiquem porosos, vedam-se
as superfícies aplicando-se revestimento e argamassa com aditivo que promova a
impermeabilidade.
Infiltrações oriundas
de água com pressão são geralmente vedadas por tamponamento local ou injeção em
profundidade. Detalhes em “Infiltrações em
subsolo”.
A vedação de trincas ou rachaduras é o caso de mais difícil
solução.
Em primeiro lugar deve-se levar em conta que na maioria dos casos
as trincas ou rachaduras ainda não existem quando se executa a impermeabilização. Em segundo lugar deve-se lembrar que as
trincas nas estruturas são fenômenos dinâmicos, principalmente quando oriundos
de influências térmicas, pois se movimentam constantemente. Por último, terminada a impermeabilização,
dar-se-á uma relaxação que impedirá uma resposta imediata a qualquer
solicitação externa dos elementos rígidos.
Pêlos motivos expostos, as impermeabilizações rígidas e as pinturas são
absolutamente inadequadas, mesmo quando a pintura tenha sido feita com um
elastômero que deposite filme de elevada elasticidade.
Vamos analisar o que acontece.
Consideremos a membrana, obtida por pintura ou colagem aplicada
sobre uma placa rígida, de forma que os dois materiais se encontrem intimamente
ligados e que a placa rígida tenha uma trinca com abertura de comprimento C.
Ao se alargar a trinca,
passando de C para C + ΔC, o alongamento que o filme
impermeável terá de suportar será obtido pela fórmula:
L = DC x 1.00 =x %
C
Suponhamos que C =
0,10mm e D C = 0,90mm
Teremos: 0,90
x 100 = 900% de alongamento
0,10
Se não havia nenhuma
trinca e esta se abriu depois, de maneira que C = 0 e DC = Y, o alongamento
será:
Y x 100 = ¥ (infinito)
0
Obviamente, por mais
elástico que seja o produto, uma membrana delgada e aderida não acompanha o
movimento e se rompe, porém, uma manta não aderida ao suporte dará melhor
desempenho pois os esforços não serão a ela transmitidos.
A camada a aplicar,
conforme a elasticidade ou a plasticidade do material, deverá ter sempre
espessura muitas vezes maior do que a abertura provável da fissura. Geralmente são necessários 5 a l0 mm, o que
torna este processo economicamente impraticável.
b) Método de
intercalação laminar
A intercalação de
feltro asfáltico ou tecidos feito in loco no meio de um material impermeável e
dúctil permite o deslizamento entre camadas, de forma que somente as camadas inferiores
ligadas aos elementos rígidos se rompem e as outras se mantêm intactas pela
ação do reforço.
Este sistema
evidentemente tem seus limites, pois os reforços podem romper-se em casos
extremos ou quando o material impermeável e dúctil ficar endurecido pelo efeito
do envelhecimento.
Os tradicionais
sistemas de feltro e asfalto têm dado resultados satisfatórios até agora,
quando bem executados e com o número de camadas e espessura do asfalto
adequados, ou seja, 4 camadas de 2 quilos de asfalto, intercaladas por 3
camadas de feltro.
C)Sistema não aderido
É evidente que o
sistema mais correto e menos sujeito a problemas é o da manta não aderida à
base.
Neste caso, os
alongamentos se diluem em toda a extensão das mantas e eliminam-se os pontos de
esforço concentrado. Sendo as mantas
feitas de material dúctil, após terem sido submetidas a um esforço de tração
acabam se acomodando, entrando em estado de relaxação, o que elimina as
tensões, evitando assim o rompimento.
A prática demonstra que
não se consegue uma superfície ideal para a impermeabilização. Geralmente as superfícies sobre as quais se
executa a impermeabilização são regularizadas com argamassa, feita com areia
grossa e apenas regularmente desempenada, apesar das recomendações para uma
superfície bem acabada.
O comportamento das
mantas impermeáveis, em relação à agressão do substrato e da pavimentação,
depende do material de que são feitas.
Comparando-se as
características dos principais tipos de mantas em uso, podemos observar o
seguinte:
-
As mantas de PVC e de borracha, quando colocadas sobre um substrato
que apresenta protuberâncias formadas por grãos de areia, ficam apoiadas sobre
estas saliências, e por serem relativamente rígidas e delgadas (geralmente têm
menos de l mm de espessura) acabam sendo perfuradas pelo atrito produzido pêlos
movimentos entre o substrato e a pavimentação.
-
As mantas de asfalto com armadura são produzidas com betumes
asfálticos dúcteis que não se opõem à penetração das pontas de areia e por esta
razão as mantas amoldam-se ao substrato e não são perfuradas. Evidentemente é necessário que a altura das
pontas salientes do substrato não seja maior do que, aproximadamente, um terço
da espessura das mantas.
Quando se opta por mantas
de menor espessura é necessário ter maior cuidado no preparo do substrato e de
sua limpeza, antes da colocação das mantas.
O preparo do substrato para receber mantas de PVC e borracha exige a
aplicação de uma camada que as protejam. É também necessário colocar outra
camada protetora sobre as mesmas mantas antes de executar a pavimentação. Estas duas camadas protetoras têm uma
nomenclatura específica, sendo chamadas: - Camada de berço (a inferior). -
Camada de amortecimento (a superior).
Estas camadas são
feitas com betume asfáltico, feltro asfáltico, mastiques asfálticos ou
combinações destes produtos. As mantas
asfálticas com armadura são consideradas como tendo as camadas de proteção já
incorporadas, uma vez que existe uma espessura de asfalto protegendo a
armadura.
A impermeabilização,
seja qual for o sistema, necessita de uma camada protetora, executada com
argamassa de cimento e areia, e geralmente também de uma pavimentação. As pavimentações e camadas protetoras são
sujeitas a variações de temperatura, que promovem movimentos que agridem a
impermeabilização.
Sendo a pavimentação
diretamente atingida pelo aquecimento solar, fica muito mais quente do que a
laje por baixo, que está à temperatura do ambiente interno. Isso pode causar um gradiente de 30 ºC
e consequentemente diferenças de dilatação entre as camadas, pois temos várias
superfícies planas sobrepostas. O
diferencial na dilatação entre as camadas aplicadas causa movimentos de atrito. A camada de amortecimento tem a função de
resguardar a manta impermeável dessa agressão.
Ora, se ela for de material macio e dúctil, este terá um desempenho
melhor do que um material mais rígido e duro.
Para amenizar o efeito
do atrito acima exposto, a argamassa de proteção, que fica imediatamente acima
da impermeabilização, deve ter um traço fraco (l:6, cimento e areia) e no
mínimo l5mm de espessura. Na colocação
da massa, deve-se usar réguas, como mestras, para se conseguir a espessura
desejada. Os espaços que ficam, ao
serem retiradas as réguas, devem ser enchidos com mastique asfáltico, passando
a funcionar como juntas de dilatação.
Tendo discorrido sobre os principais fatores que influenciam na
eficiência de uma impermeabilização, passaremos aos sistemas adequados para que
se obtenha uma impermeabilização simples e segura.
Analisaremos os méritos das diversas mantas que são apresentadas
aos usuários.
Voltando ao item 3.2. verificamos que existem
várias opções de mantas com características bem diferentes. Para escolher bem, é necessário estudar
detidamente estas características e o desempenho que a manta vai ter na obra.
Para se conhecer bem o
que é uma manta plástica ou elástica, além das características que enumeramos
no item 3.2.,
temos que conhecer suas outras características:
a)Resistência ao
envelhecimento;
b)Flexibilidade à baixa
temperatura (< 0 ºC);
c) Resistência ao ataque de micro - organismos,
aos álcalis e aos ácidos dissolvidos nas águas pluviais;
d)Resistência ao
puncionamento dinâmico e estático, conforme as condições que a manta terá que
suportar durante a execução e durante o uso;
e)Resistência ao calor
e ao escorrimento;
f)Absorção de água e
estanqueidade sob pressão.
Existe ainda uma
característica que desejamos destacar, é a que diz respeito à possibilidade de
efetuar-se as emendas entre as mantas, com facilidade.
Todo sistema de manta é
eficaz quando há total segurança nas emendas.
Os sistemas de emenda
mais usuais são:
- Para borracha
butílica: Vulcanização a frio com
adesivos e fitas especiais.
- Para PVC:Emendas por fusão, por meio do
aquecimento com aparelho elétrico de solda a ar quente.
- Para
mantas asfálticas: Solda autógena do
asfalto, usando maçarico de GLP.
A emenda por solda autógena de asfalto é a mais eficaz, segura e de rápida execução, deixando pouca margem de erro. Facilita tremendamente a execução de arremates junto às instalações hidráulicas e contornos complicados da obra. As impermeabilizações com mantas podem ser executadas de três maneiras, em relação à aderência ao substrato:
-
Totalmente aderidas ao substrato;
-
Semi - aderidas ao substrato;
-
Não aderidas ao substrato.
Como verificamos no item 4.3.(c)
o sistema não aderido é o que oferece melhor desempenho, porém seus opositores
o condenam, alegando que é difícil localizar pontos de infiltração. Pela experiência dos autores com o uso de
mantas asfálticas com armadura de filme de polietileno, o sistema não aderido
não traz este tipo de problema e mesmo aos poucos casos em que isto ocorre, a
solução é problema do aplicador e não do usuário. Os sistemas aderidos também não são isentos de problemas de
identificação de pontos de entrada de água, porque são aderidos a uma camada de
argamassa de regularização superposta à laje, e que geralmente não forma um
corpo monolítico. A água se distribui
entre o concreto da laje e a argamassa de regularização, e assim o ponto de
infiltração não coincide com o ponto de entrada da água.
As mantas de borracha
butílíca e de PVC requerem uma camada de berço e não devem ser aplicadas
diretamente sobre um concreto ou argamassa.
Em contraste, as mantas
de asfalto com armadura, com 3mm de espessura total, já têm a camada de berço e
a de amortecimento incorporadas. Além
disso, as mantas asfálticas se acomodam sobre as irregularidades do substrato,
deixando as protuberâncias penetrarem no asfalto e preencherem as depressões,
amoldando-se ao substrato e assim não estão sujeitas a perfurações. As mantas de borracha butílica e PVC, quando
aplicadas sem berço, são perfuradas pêlos grãos de areia e protuberâncias, porque
não se amoldam ao substrato. Já as mantas
asfálticas podem ser aplicadas diretamente sobre o substrato, desde que
respeitadas as instruções de preparo, encontradas no capítulo “Aglomerantes
hidráulicos e influência da água nas argamassas e nos concretos” . É
necessário aderir as mantas ao substrato nos seguintes casos:
-nas mantas autoprotegidas, que não levam pavimentação ou lastro
pesados sobre elas, para evitar que sejam arrancadas pelo vento;
-nos planos verticais;
-em fundos de caixas d'água e de piscinas.
As mantas asfálticas
podem ser aderidas pelo processo CAQ (coragem com asfalto quente) ou CMG
(coragem com maçarico de gás).
O processo CMG é muito
rápido, seguro e econômico. A possibilidade
de sua execução depende apenas do tipo de proteção anti - aderente empregado na
fabricação da manta. As mantas
necessitam desta proteção para poderem ser bobinadas. Se a proteção anti - aderente for um granulado mineral, a manta
somente pode ser aderida pelo sistema CAQ, porém se a proteção anti - aderente
for um filme delgado de polietileno, ou de talco, que são facilmente consumido
pelo calor da chama do maçarico de gás, o processo CMG é o indicado. A colagem de manta asfáltica na vertical e
sobre superfícies curvas de fácil execução e segura, levando grande vantagem
sobre as mantas de borracha e de PVC, que não se amoldam.
Vamos ver agora o que
determina a escolha da armadura mais adequada para as mantas asfálticas.
Como verificamos, os materiais
mais usuais são:
- filme de polietileno;
- filme de poliéster;
- feltro de poliéster;
- véu de fibra de
vidro;
- filme de PVC;
- tecido de juta.
Os fatores
determinantes são:
- desempenho;
- custo;
- rapidez e facilidade
de execução da impermeabilização.
Pela experiência dos
autores com lajes planas em coberturas, as mantas armadas com filme de
polietileno oferecem o menor custo para um bom desempenho. Sua colocação requer, entretanto,
mão-de-obra treinada e especialização dos responsáveis, porque nas mãos de
inexperientes, as mantas podem ser danificadas. Por esta razão devem ser aplicadas por firmas credenciadas pelo
fabricante.
O mesmo se pode dizer
das mantas armadas com filme de poliéster, que têm um custo um pouco mais alto
do que as armadas com filme de polietileno.
Sua vantagem reside no fato do filme de poliéster ser muito resistente
à perfuração, resistindo aos brotos de capim e às raízes de plantas que, por
incrível que pareça, perfuram outros tipos de mantas. Estas mantas destinam-se a floreiras e reservatórios executados
diretamente sobre o solo, não obstante nada impeça seu uso geral.
As mantas armadas com
feltro de poliéster têm um custo elevado, porém seu uso vem ganhando adeptos
pela excelente qualidade e facilidade de instalação. Têm boa resistência ao puncionamento, não sendo danificadas com
facilidade, mesmo por aplicadores pouco experientes. São dimensionalmente estáveis e por isto facilitam a execução dos
serviços. São indicadas para caixas
d'água, piscinas e planos verticais, resistindo a temperaturas altas (até 90ºC)
sem escorrer. Como armadura, um feltro
de poliéster pesando l50 g/m2.
é suficiente para a maioria dos usos, porém, para serviços onde se
deseje uma manta classe 2 - Manta de Alta Resistência, deve ser usado um feltro
pesando 200 g/m2.
As mantas armadas com
véu de fibra de vidro encontram poucas, ocasiões de serem especificadas, por
não possuírem características que justifiquem seu custo. São dimensionalmente estáveis e têm bom
desempenho onde as solicitações não são extremas.
O filme de PVC tem seus adeptos devido à sua boa resistência
mecânica, porém a associação do PVC com asfalto é perigosa, porque o tipo de
PVC deve ser especial. Quando não o
for, haverá seqüestro do plastificante contido no PVC, a manta torna-se rígida
e perde sua flexibilidade, o asfalto se separa do filme e as emendas se
abrem. O PVC é de custo mais elevado do
que o filme de polietileno, sem oferecer vantagem de desempenho. Mantas de PVC de baixo custo são feitas de
PVC comum, sem características adequadas e seu uso levará ao fracasso.
Para impermeabilizar um
subsolo de forma segura, de modo que não venham a ocorrer problemas ao longo
dos anos, devemos formar um invólucro impermeável que envolva toda a estrutura
pelo lado de fora, isto é, pelo lado de onde vem a água.
Ninguém veste uma capa
por baixo do paletó, mas é generalizada a impermeabilização pelo lado interno
da construção, somente porque não se pensou no problema a tempo de determinar-se
a solução certa. Se a impermeabilização
deve envolver a obra, então obviamente, é uma das primeiras coisas que precisam
ser feitas.
Logo após as escavações
e escoramento do terreno, torna-se necessário criar superfícies para sustentar
o material impermeabilizante.
Esquematicamente, a
situação é mostrada no desenho abaixo:
Os detalhes dependem da
fundação, isto é, se a construção é feita sobre placa de "radier" ou
feita sobre estacas. No caso de
construção sobre estacas, o projeto desenvolve-se como mostram os dois desenhos
seguintes:
Se há poços de elevador
ou cisternas, o mesmo princípio precisa ser respeitado. Temos que construir um molde dentro do
terreno e executar a obra dentro do molde, Isto somente é possível se o projeto
arquitetônico e o projeto de estrutura forem orientados nesse sentido.
Sendo escolhida a
construção sobre placas de "radier", o problema é mais simples, como
vemos no desenho seguinte:
Quando a construção é
apoiada sobre estacas encabeçadas em blocos, há uma elevada concentração de
carga sobre esta área. A prática de
ensaios de laboratórios mostram que o asfalto dúctil, empregado na fabricação
das mantas termoplásticas, flui sob a ação da carga. Quando a impermeabilização é totalmente confinada, há uma
redistribuição da camada asfáltica. Se
a compressão é uniforme, como no "radier", não há preocupação, porém,
no caso de cabeças de estacas, haveria uma tendência para o asfalto fluir da
zona de maior pressão para a de menor pressão.
Para minimizar este efeito, usam-se mantas estruturais, fabricadas com
asfalto mais rígido, devendo ser especificadas, neste caso, as mantas armadas
com não - tecido de poliéster ou tecido de juta.
Por cobertura
entendemos qualquer superfície plana exposta ao tempo - terraço, varanda, pátio
de estacionamento, cobertura de subsolo, etc.
Quando se realiza um projeto de cobertura é necessário prever um
caimento mínimo de 1% em direção aos ponto de escoamento, para evitar o
empoçamento d'água. Conforme a
disposição dos condutores, esse caimento pode assumir proporções verdadeiramente
desastrosas quando não for previsto em projeto, pois um ponto afastado l0m do
ponto de escoamento precisa subir 11cm e o enchimento pode engolir soleiras,
muretas de contorno e pequenos paramentos, além de necessitar de um grande
volume de argamassa, cujo peso precisa ser levado em conta no cálculo
estrutural.
Uma previsão com vista
à possível localização das prumadas e raios de piso é sumamente importante já
na fase inicial do projeto, pois, se as condições obrigarem a um distanciamento
dos ralos, a conseqüência é a necessidade de enchimentos consideráveis. É comum
o executor deparar-se na obra com o "fait accompli" de não haver
possibilidade de reconciliar os caimentos com as alturas dos pisos
internos. Os prejuízos decorrentes de
soluções improvisadas são às vezes muito grandes. Ou o proprietário arca com esse prejuízo ou vai sofrer, toda a
vida, as deficiências deixadas.
O caimento para a água
não empoçar nada tem a ver com a durabilidade da impermeabilização, que, aliás,
se mantém melhor no molhado do que no seco.
O fato é que poças d'água são inconvenientes aos usuários da área.
No planejamento da
disposição dos ralos, deve-se levar em conta que juntas na tubulação de esgoto
são sempre passíveis de vazamento.
Quando as tubulações são instaladas por cima de forros ou lajes não impermeabilizadas
é freqüente a ocorrência de infiltrações.
Os trechos horizontais de tais instalações devem ser de aço rosqueado ou
de ponta e bolsa, com anéis de borracha, para garantir a vedação perfeita e
permanente, pois esses trechos são submetidos aos esforços de dilatação da
laje.
A impermeabilização
precisa ser arrematada em todo o contorno da área, pelo menos 15 cm acima do
nível do piso acabado. É necessário que a impermeabilização adentre nos
ambientes cobertos, onde existem portas abrindo para a parte exposta à chuva e
ao vento.
O crescente emprego de concreto aparente trouxe sérios problemas
para o arremate. Em 99% dos casos não é
feita previsão para o arremate da impermeabilização, exigindo soluções de
última hora, quase sempre sem falhas.
Uma mureta de parapeito em concreto precisa ser construída com o
rebaixo mostrado na figura, pois os ferros próximos à superfície impedem sua
feitura "a posteriori".
Colunas de concreto aparente apresentam problemas semelhantes.
Uma impermeabilização,
seja qual for o processo, nunca poderá ser terminada como mostra o desenho:
Neste caso, a água
fatalmente penetrará por detrás da manta, pois esta acabará, a longo prazo, por
se afastar da parede.
Quando não se pode
embutir a borda, a solução é levar a impermeabilizarão até o topo da mureta.
Ao se isolar
termicamente uma laje, aumenta-se ainda mais sua espessura. Utilizando-se uma espuma de cimento na
regularização, em substituição à argamassa, já que está incorporando à laje um
isolante térmico, embora a espessura decorrente possa não atender às
necessidades.
A espessura mínima de
espuma - cimento, no ponto próximo ao raio, deve ser de 30mm. Placas de espuma rígida de poliuretano
variam entre 10 mm e 25 mm. Não devemos
esquecer que todos os materiais leves dispostos sobre uma estrutura, não são
estáveis pelo seu próprio peso e estão sujeitos à flutuação, pois não foram
fixados mecanicamente.
Este assunto será
tratado detalhadamente no capítulo “Planejamento e execução da impermeabilização”.
Uma junta de dilatação pode ser definida como sendo uma separação entre
duas partes de uma estrutura para que estas partes possam movimentar-se, uma em
relação à outra, sem que haja qualquer transmissão de esforço entre elas.
Quando se fala em junta de dilatação, visualizamos uma separação
entre dois blocos de um prédio ou entre lances de uma ponte. Entretanto, são também juntas aquelas que
separam placas de pavimentação, panos de revestimento de elementos pré -
moldados, etc. As juntas diferenciam-se
pela amplitude do movimento, e o tratamento que recebem para vedá-las em função
da ordem de amplitude desses movimentos.
As estruturas de
concreto com grandes dimensões, sujeitas a variações de temperatura, necessitam
de juntas de dilatação para absorverem os seus movimentos de dilatação e de
contração. A separação entre blocos de
edifícios, pontes, viadutos etc., são locais onde as juntas se fazem
necessárias para acomodar movimentos diferenciados de assentamento de
fundações, além dos movimentos térmicos de dilatação e de contração.
A localização e a
direção das juntas, no sentido vertical ou horizontal, a amplitude do seu
movimento e o uso a que se destina na área que elas atravessam, são fatores que
precisam ser levados em conta no desenho das juntas e na especificação dos
produtos e sistemas de sua vedação.
Ao estudar a colocação
e a forma das juntas, deve-se considerar detalhadamente as diversas influências
externas, que possam afetar o concreto e influir no desempenho da junta, tais
como:
- contração devido à
cura;
- movimento devido à
umidade;
- movimento térmico;
- recalque da
estrutura;
- forças lineares;
- fixação dos elementos
que estarão sobre a estrutura, etc.
Sabemos que os
movimentos acima mencionados, numa estrutura de concreto, não atuam igualmente.
A dilatação, devida ao
aumento de temperatura, opõe-se, às vezes, a contração, devida à perda de
umidade e assim se produzem grandes tensões internas. As juntas de dilatação nas obras constituem, pois, um ponto
critico permanente, principalmente por não serem corretamente projetadas, pela
falta de conhecimentos específicos de desempenho dos materiais em vedação das
juntas.
Vimos, através desse
trabalho, apresentar nossas considerações e recomendações sobre o desempenho
que os materiais de enchimento das juntas devem oferecer, baseadas em
observações no decorrer de muitos altos.
Os sistemas de vedação
de juntas, sejam por enchimento com mastiques, sejam por transpasse com mantas
ou por peças mecânicas deslizantes, devem acomodar-se à amplitude do movimento
da junta.
A largura média da
junta é a largura em que a temperatura corresponde à média do local da obra, ou
seja, na faixa entre l5 ºC e 25 ºC. A
junta se abre quando a temperatura diminui e se fecha quando a temperatura aumenta.
Especificações de
vários países determinam que os mais sofisticados materiais de vedação de
juntas devem poder absorver um movimento de 25% para mais ou para menos, da
largura média da junta.
Por exemplo, um produto
que deve vedar uma junta com 20mm de largura precisa ter condições de suportar
uma dilatação e uma compressão de 5mm, o que corresponde a um movimento total
entre l5mm e 25mm.
Um movimento de 5mm
para mais ou para menos é, entretanto, muito pequeno para a maioria das
condições de uma estrutura. Vamos
calcular o movimento baseado nos seguintes parâmetros:
- coeficiente de
dilatação de concreto - 0,000014;
- temperatura mínima no
inverno = 0o C
- temperatura máxima no
verão = 60o C
- temperatura por
ocasião da execução da junta = 25o C
- maior dimensão da
estrutura = 15m
CÁLCULO
- movimento de
COMPRESSÃO DA JUNTA:
0,000014 x 35o
x 15m = 0,00735m.
- movimento de
DILATAÇÃO DA JUNTA:
0,000014 x 25o
x 15m = 0,00525m.
Tomando-se por base o
movimento de 7,35mm e a regra de que este movimento não deve ser maior do que
25% da largura da junta, então a largura teria que ser: 7,35¸0,25=29,4mm
Baseados neste enfoque,
chegamos à conclusão de que necessitamos de juntas bem mais largas do que as
que são comumente encontradas nas obras, para que o material de enchimento passe
a trabalhar sem ocorrer danos. Teremos
ainda que levar em consideração que a capacidade de absorver uma amplitude de
movimentos de mais de 25% da largura da junta é propriedade de urna estrita
gama de produtos à base de polissulfetos, poliuretanos e silicones, todos de
elevado custo.
São os seguintes os
principais sistemas de vedação de juntas:
a)Mastiques de
enchimento.
b)Mantas asfálticas.
c) Perfis de borracha ou PVC colocados sob
pressão.
d)Perfis de borracha ou
PVC chumbados no concreto (Fugenband).
e)Dispositivos
mecânicos de desligamento.
a)Mastiques de
enchimento
Os mastigues de
enchimento devem ser usados para juntas de pequena amplitude de movimento, no
máximo de 2mm a 5mm. São 3 casos de
juntas de separação da pavimentação de pisos plaqueados e peças pré-moldadas,
etc.
b)Mantas asfálticas
As mantas asfálticas
servem para vedar juntas de dilatação como as usadas para separar blocos de
edifícios, com amplitude de movimento entre 5mm e 15mm. Os detalhes de execução são mostrados no
item 8.5.
c) Perfis de borracha ou PVC colocados sob
pressão:
As juntas nucleadas (pressurizadas) são
adequadas para juntas de grande amplitude de movimento.
De acordo com os
fabricantes, servem para absorver movimentos até 135mm.
d)Os perfis tipo
"Fugenband" são geralmente usados em conjunto com uma outra vedação
ao nível da superfície, pois sozinhos não oferecem segurança.
e)Sistemas mecânicos
São usados somente em
casos muito especiais e não existem sistemas prontos para uso.
Quando as juntas são
executadas com mantas asfálticas, a largura das juntas é muito importante. Juntas estreitas não permitem que se forme
um colo adequado e, ao se fecharem, comprimem demais a manta e o enchimento,
formando uma dobra que poderá enfraquecer o material, criando condições que, a
longo prazo, levarão ao rompimento. Em
juntas largas e amplas o material de vedação trabalha menos, a execução
torna-se fácil e o enchimento da junta pode contrair-se ou dilatar-se
livremente, absorvendo os movimentos de dilatação e de compressão. Uma regra para orientar as dimensões de
juntas enchidas com massa vedante, tipo mastique, é a seguinte:
- dimensão mínima de
6mm x 6mm;
- para largura de 6mm a
l2mm, a profundidade deve ser de 6mm;
- para largura de l2mm
a 25mm, a profundidade deve ser a metade da largura;
- para larguras
maiores, a profundidade deve ser mentida de l2mm.
A execução das juntas
de dilatação com mantas asfálticas é simples e eficiente.
A grosso modo, basta
passar a manta asfáltica por cima da junta, mas antes se deve:
1º - inserir
na abertura da junta, para apoio, um material compressível e de certa elasticidade
(espuma rígida de poliuretano ou poliestireno expandido);
2º -
transpor a junta com uma faixa de manta aderida à base, formando uma pequena
bolsa para dentro da junta, cuja finalidade é diminuir a solicitação sobre o
material, nesse ponto;
3º - encher
a bolsa com mastique que não ofereça resistência ao movimento da junta;
4º - aplicar
outra faixa adicional da manta, também aderida à base, por cima da anterior,
ultrapassando-a.
5º - criar
uma forma adequada para fixação do piso que estará sobre a impermeabilização.
Quando for inviável a
inserção do material compressível na junta, por sua diminuta abertura, antes da
passagem da manta principal, deve-se
1º - cobrir
a junta com uma faixa da manta, aderida à base;
2º - aplicar
por cima, ultrapassando-a, outra faixa adicional da manta, também aderida à
base.
Os desenhos seguintes
mostram o tratamento de uma
Junta com mantas
asiáticas
Para adicionais
esclarecimentos, ver item
1.2 em “Informações para os Construtores. Execução dos Serviços após
a Impermeabilização”
Todos os pisos
necessitam de um acabamento. As
impermeabilizações não podem ficar expostas ao sol, às intempéries e ao mau trato.
Existem quatro
categorias básicas de pisos:
a) transitáveis;
b) de trânsito
ocasional, para limpeza e manutenção;
c) não transitáveis;
d) de pátios de
estacionamento.
Nesta categoria estão
incluídos todos os pisos de cimentados e materiais nobres (cerâmica, pedras,
etc.)
Todos esses pisos são
rígidos e precisam ser executados com juntas de dilatação.
Os pisos de cimentado
são tradicionalmente feitos em forma de placas de 0,60m x 0,60m, com juntas de
l,0cm entre elas, enchidas com mastique de asfalto e areia, sendo a espessura
mínima das placas de 2,5cm.
É quase generalizada a
prática errônea de fazer-se pisos nobres em grandes panos, sem juntas. Como conseqüência o piso começa a
levantar-se e as muretas do parapeito são empurradas para fora, estourando o
revestimento da fachada.
As cerâmicas são
especialmente suscetíveis à dilatação, enquanto que a pedra São Tomé
comporta-se melhor sob esse aspecto.
Seja qual for o
material, é necessária uma junta de dilatação enchida previamente com mastique JUNTER F em
todo o contorno e os panos não devem ser maiores do que 5m, em qualquer
direção.
Além disso, é sempre
necessário colocar uma camada de argamassa de proteção diretamente sobre a
impermeabilização, antes de se executar a pavimentação final, como já foi dito
no item 4.4.
Nesta categoria estão
incluídos os pisos asfálticos, os recobrimentos com seixos rolados e os
revestimentos com lâminas de alumínio gofrado (com desenho tipo casca de
laranja em relevo).
O piso asfáltico é o
mais econômico desta categoria. É constituído por uma aglomeração de seixos
rolados e emulsão asfáltica. A
espessura mínima é de 2cm. Por se
manter sempre plástico, dispensa juntas de dilatação. Normalmente de cor preta, pode ser revestido com tinta vinil -
acrílica ou pintado com tinta asfáltica pigmentada de alumínio. O acabamento
com a manta de alumínio gofrado é uma solução quando o cálculo estrutural não
admite acréscimo de peso. O caimento
mínimo para este acabamento é de 5%, pois a água nunca deve ficar empoçada
sobre o alumínio. Outra vantagem para o
uso desse acabamento é o seu efeito decorativo. O alumínio pode ser pintado, caso sua aparência metálica não
agrade.
É o caso das abóbadas e
coberturas muito inclinadas onde o acabamento feito com manta asfáltica,
protegida com alumínio, oferece a solução ideal, proporcionando impermeabilização
e acabamento a um só tempo.
Nos pisos de pátios de
estacionamento é necessário que as placas não se desloquem pelo efeito de
freada ou aceleração dos veículos, Geralmente a solução indicada é a construção
de placas de concreto armado. Para
veículos relativamente pesados (até 5.000kg) as placas devem ter 10cm de
espessura, armadas com malha de ferro de 1/4" e medir 3m x 3m, o que lhes
confere um peso de 2.550 kg.
Para veículos leves, as
placas podem ser de 6cm de espessura, armadas com malha de ferro de 3/16",
e medir 2m x 2m. Para caminhões muito
pesados as placas precisam ser proporcionalmente mais armadas e, conseqüentemente,
mais pesadas.
Também neste caso é
necessário colocar uma camada de argamassa de proteção diretamente sobre a
impermeabilização e executar a pavimentação sobre esta, como já foi dito no item 4.4.
As caixas d'água são
impermeabilizadas com mantas asfálticas, de forma eficiente e duradoura. Os detalhes que, precisam de especial
atenção são referentes às instalações hidráulicas, assunto tratado no capítulo
“Preparação da Obra para Receber Impermeabilização”, item 3.
Frisamos que as caixas d'água estão sujeitas a trincas e rachaduras, e nelas as
impermeabilizações rígidas não são adequadas.
Para as instalações
hidráulicas de piscinas são válidas as mesmas recomendações mencionadas no item
anterior,
Há porém uma diferença
fundamental a ser considerada, que se resume no seguinte: Numa caixa d'água os
tubos podem projetar-se para dentro da caixa sem causar problemas; já numa
piscina isto não é admissível, pois os tubos - não podem ficar salientes. O projeto precisa então prever uma forma
construtiva que deixe os tubos em condição de serem envolvidos pelas mantas sem
adentrar na piscina.
É sempre necessário
mostrar no projeto a maneira de arrematar as mantas asfálticas junto aos tubos,
"skimmers" aos holofotes. Os
desenhos seguintes mostram duas possíveis soluções para a execução da
impermeabilização dos nichos dos holofotes.
Nas coberturas dos
edifícios é generalizada a prática de impermeabilizar os tetos das casas de máquinas
e as calhas, e montar um telhado sobre as partes habitadas.
O telhado é
especificado por três motivos:
a)a crença de que reduz
o calor;
b)não se confia nos
sistemas de impermeabilização;
c) acredita-se que uma boa impermeabilização custe
mais caro.
Vamos analisar essas
questões
A experiência de
moradores de apartamentos de cobertura e de casas comprova que o telhado não
protege contra o calor nem contra o frio, pois não tem efeito isolante, Aliás,
o telhado agrava este fenômeno, pois e volume de ar do sótão age como
acumulador, retendo o calor ou o frio.
As telhas de fibra -
cimento transmitem mais calor de que as telhas de barro, porém o uso das
primeiras mais generalizado devido ao seu mais baixo custo. É fácil comprovar
que as temperaturas do sótão podem
atingir de 60 a 70 oC.
Portanto, se o problema é aumentar o conforto e reduzir os custos da
refrigeração ou calefação, o isolamento térmico é indispensável, seja debaixo
do telhado ou sobre as lajes de cobertura impermeabilizadas.
Efetivamente, até o
advento das mantas asfálticas não existiam impermeabilizações seguras a um
preço competitivo com o do telhado.
Atualmente, uma
impermeabilização custa aproximadamente a metade do preço de um telhado, com as
outras vantagens já anunciadas anteriormente.
Além disso deve ser
levado em conta que, ao custo da cobertura com telhado, tem que ser acrescido o
custo da construção das calhas.
A impermeabilização
traz ainda o grande benefício de permitir que se use a espuma - cimento para
substituir a argamassa de caimento, incorporando assim o isolamento térmico sem
acréscimo de custo, o que então faz, disparar a vantagem econômica, pois o
isolamento térmico em separado aumenta pelo menos 30% o custo do telhado.
1o Executar
o revestimento das empenas e fachadas utilizando argamassa com aditivo aerantes
(vide item 4.2 do capítulo “Aditivos”) para evitar fissuras e
trincas no revestimento.
2o Especificar sistemas de produtos de revestimento e
pintura conforme indicados no capítulo “Impermeabilização de Fachadas/Pinturas e Tintas”
As paredes ou empenas dos edifícios, expostas a constantes chuvas
de vento, como ocorre no Rio de Janeiro com as paredes orientadas para Sul e
Sudoeste, necessitam de cuidados especiais.
A chuva de vento penetra pelas frestas e desgasta os tratamentos
superficiais; por esta razão a incidência de parede úmidas com infiltrações
mais severas é freqüente.
As conseqüências são a formação de mofo, apodrecimento de armários
embutidos, estragos em quadros de pintura, etc. Se os problemas forem previstos nos memoriais descritivos é
possível eliminá-los pela raiz.
Ver capítulo “Impermeabilização de Fachadas/Pinturas e Tintas”
Os pisos de banheiros, cozinhas, áreas de serviço e estacionamentos
cobertos e elevados, onde se lavam carros, precisam ser impermeabilizados. Não estando estas áreas expostas ao sol, não
sofrem movimentos térmicos e portanto não estão sujeitas a fissuramento (salvo
a movimentos estruturais). Assim sendo,
podem ser impermeabilizadas pelo sistema de simples pintura, executada por
empregados do próprio construtor, não exigindo a participação de uma firma
especializada. O produto a ser
especificado deve ser EMUPLÁSTICO LÁTEX ou BETUPLÁSTICO SP. A escolha depende da preferência do
construtor. Deve ser especificada ainda
a espessura mínima de l,0mm para a película residual (que fica após a
evaporação das partes voláteis).
Em banheiros com rebaixos a impermeabilização deve ser feita no
fundo destes, passando por baixo da instalação hidráulica e novamente sobre o
enchimento, antes da colocação do contra - piso final. A primeira pintura evita infiltrações no andar
de baixo, oriundas de vazamentos na instalação, e a segunda evita o acúmulo de
água no enchimento do rebaixo, oriundo de infiltrações pelo piso.