PREPARAÇÃO DA OBRA PARA RECEBER IMPERMEABILIZAÇÃO

 

1. PREPARO DAS SUPERFÍCIES. 2

1.1. Superfícies com declive máximo de 3%.. 2

1.2. Superfícies verticais ou com declive superior a 3%.. 2

1.3. Superfícies de áreas internas 3

1.4. Observação. 3

2. PREPARO DOS CONTORNOS. 3

3. INSTALAÇÃO DE TUBULAÇÕES. 4

3.1. Tubos de entrada da água em caixas d'água e piscinas 4

3.2. Tubos de saída de água em caixas d'água. 4

4. PROVIDENCIAS RELATIVAS À ÁREA DE TRABALHO. 5

 


PREPARAÇÃO DA OBRA PARA RECEBER IMPERMEABILIZAÇÃO

Qualquer parte de uma obra que se destine a coberturas, terraços, caixas d'água, piscinas ou subsolos abaixo do nível freático, e que deva ser impermeabilizada por sistema de manta asfáltica, deve merecer cuidados especiais por parte do construtor, para se garantir o êxito do serviço.

Os itens a considerar serão abordados neste capítulo.

1. PREPARO DAS SUPERFÍCIES

1.1. Superfícies com declive máximo de 3%

Como vimos no capítulo “Execução de Projetos com vista à Impermeabilização”, de modo geral as mantas asfálticas são colocadas não aderidas (sem auxílio de adesivo) sobre superfícies deste tipo.

Pontas agudas, brocas e protuberâncias em geral no substrato podem prejudicar a manta (ver item 4.4). Daí a necessidade de superfícies regularizadas com cimento e areia para o assentamento da manta. É naturalmente possível a regularização do próprio concreto, para se obter uma superfície em condições satisfatórias.  Na prática, entretanto, isto poucas vezes é conseguido.

O traço da argamassa não precisa ser forte, pois sobre a superfície não incidirá qualquer esforço de desgaste, servindo esta apenas de apoio à manta.  Recomendamos o traço 1:6, cimento, areia e aditivo aerante.  Os traços fortes tendem a trincar e empenar.

A argamassa deve ser sarrafeada e desempenada. É muito comum que os construtores, pressionados por cronogramas ou razões econômicas, queiram obrigar o empreiteiro da impermeabilização a executá-la sobre superfície que não apresentam as mínimas condições de aplicação, o que constitui lamentável falta de consciência e de responsabilidade frente ao proprietário.

1.2. Superfícies verticais ou com declive superior a 3%

Sobre estas superfícies torna-se necessário aderir a manta, o que se obtém por meio de adesivo apropriado.  A força de adesão depende da área de contato.  Superfícies ásperas apresentam apenas pontos de contato e superfícies queimadas a colher são tão lisas que não possibilitam boa fixação ao adesivo.

Ambas são desaconselhadas.

A superfície ideal para a adesão das mantas é um emboço de cimento e areia lavada e peneirada.

Recomenda-se os seguintes traços em volume:

Com aditivo aerante: 1:6.

Sem aditivo: 1:3.

Antes de se efetuar a coragem, a superfície deve ser desempenada com desempenadeira de aço, sem brunir, escovada com escova de aço, ou lixada.

As superfícies verticais devem ser preparadas com especial cuidado, pois nelas a aderência suporta o peso do revestimento final para que ele não tombe.

O concreto aparente pode servir de base ao adesivo, porém é preciso antes remover-lhe os vestígios dos agentes de desmolde.

A inclusão, na massa, de argila oriunda de saibro inadequado enfraquece a superfície do revestimento.  O emprego de água suja também pode causar problemas.  Em qualquer caso, deve-se fazer previamente um teste de aderência, colando uma pequena peça da manta asfáltica à superfície, para ser removida depois de seco e curado o adesivo.  Se a massa é arrancada junto com a peça, desqualifica o revestimento como base.

Quando as condições do revestimento não são apropriadas, não há como escapar da sua substituição total.

1.3. Superfícies de áreas internas

As áreas internas, tais como pisos e paredes de banheiros, cozinhas e áreas de serviço, podem ser impermeabilizadas por sistema de pintura, com “EMUPLÁSTICO P” ou “EMUPLÁSTICO LÁTEX”. Neste caso, as superfícies precisam ser regularizadas com argamassa de cimento e areia, traço 1:3, desempenada.  Quanto maior for a irregularidade da superfície, maior será o consumo do impermeabilizante.

1.4. Observação

Com a expressão "em volume", queremos caracterizar a necessidade de ser usada a mesma unidade de medida para o cimento e a areia.  Desta forma evita-se o erro, muito comum, do técnico empregar o saco para medir cimento e o carrinho para medir areia.

2. PREPARO DOS CONTORNOS

Em todos os casos de impermeabilização por sistema de manta, as bordas das mantas precisam ser arrematadas seguramente (embutidas na vertical ou por outro processo), para impedir a infiltração da água por trás da manta.

Aproximadamente 90% dos casos de infiltrações em impermeabilizações deste tipo são oriundos das deficiências de arremates no contorno.

Os arremates devem ser executados como mostram as figuras seguintes:

Não havendo qualquer possibilidade de se dobrar a borda superior da manta asfáltica e se esta tenha que morrer na vertical, emprega-se uma fixação mecânica.

Recomendamos a fixação com pinos e arruelas, aplicados com pistola WALSIWA (ver item 4.4 no capítulo “Planejamento e Execução da Impermeabilização”).


3. INSTALAÇÃO DE TUBULAÇÕES

A execução das instalações hidráulicas merece uma atenção especial, com vistas ao arremate da impermeabilização junto às extremidades das tubulações.

Nos terraços é necessário unir a impermeabilização aos tubos de queda, e no interior de uma caixa d'água é necessário uni-las aos tubos de entrada e de saída da água.

Aproximadamente 90% dos problemas de vazamento em caixas d'água são oriundos de defeitos nos pontos onde a impermeabilização se une aos tubos.

As mantas asfálticas são aderidas pela fusão do asfalto, com auxílio de um maçarico a gás.

Deve-se evitar a instalação de trechos horizontais de tubos rente ao piso, quando este tiver que ser impermeabilizado.  Se o tubo ficar por baixo da impermeabilização pode ocasionar vazamento de difícil correção.

Igualmente deve-se evitar trechos horizontais de tubos emendados por ponta e bolsa (vedado com chumbo), no espaço entre a laje de cobertura e o forro, pois os movimentos térmicos da laje provocam movimentos também nas juntas da tubulação, que podem acabar vazando.

Quando os tubos ficam escondidos, o aparecimento de infiltração é inicialmente atribuído à impermeabilização e tem ocasionado dispendiosas buscas para se determinar a origem do vazamento.

As tubulações das caixas d'água devem sempre prolongar-se para dentro das mesmas, de forma a oferecer uma extensão onde a impermeabilização possa se fixar, como detalharemos no item seguinte:

Os tubos têm que ser firmemente ancorados no concreto para não se mexerem, de forma a poderem resistir aos esforços aplicados pêlos bombeiros, ao completarem a instalação ou efetuarem reparos.

Ao serem instalados os tubos de queda da prumada, é necessário que as pontas sobressaiam da superfície da laje, numa

altura equivalente à espessura da argamassa do caimento e regularização (± 2cm).

Quando se emprega isolamento térmico com espuma de cimento o tubo deve sobressair-se ± 6cm.

O arremate preferível, junto a um tubo de saída de água consiste em fazer a manta asfáltica adentrar no tubo.  Para isso, é necessário que este tenha, no mínimo, 75mm de diâmetro.  Quando o diâmetro for menor, é necessário que o tubo ultrapasse, pelo menos l0cm, a superfície, para que se possa executar uma gravata.

Os desenhos seguintes nos dão exemplos de arremates de instalações hidráulicas.

Atenção: Os tubos dos pontos de queda ou prumadas nunca se estendem até o nível do piso acabado.

3.1. Tubos de entrada da água em caixas d'água e piscinas

Os tubos de entrada da água, de qualquer diâmetro, devem ultrapassar as paredes ou lajes do fundo e se prolongar para dentro das caixas, numa extensão de, pelo menos, l0 cm.

3.2. Tubos de saída de água em caixas d'água.

    Os tubos de saída da água no fundo das caixas d'água, que não se estendem para dentro e os que alimentam as válvulas de descarga dos banheiros, requerem um tratamento especial, pois nestas tubulações ocorre o fenômeno do golpe de aríete, que provoca uma inversão no fluxo da água, fazendo-a retornar em direção à caixa, num refluxo violento.  Se o tubo for instalado rente ao fundo da caixa e a impermeabilização for dobrada para dentro, inversão na direção do fluxo pode soltar a manta asfáltica do interior do tubo e provocar vazamentos.

4. PROVIDENCIAS RELATIVAS À ÁREA DE TRABALHO

Antes de chamar o empreiteiro da impermeabilização para o início dos trabalhos, o construtor deve verificar:

- se a área está seca;

- se as depressões estão regularizadas;

- se os restos de argamassa foram removidos;

- se os ninhos ou protuberâncias foram eliminados;

- se os trabalhos de revestimento nas empenas e adjacências foram suspensos.

Estando tudo certo, ele determinará a interdição da área até que a proteção da impermeabilização ou a Pavimentação tenha sido completada.

Quando os impermeabilizadores estiverem trabalhando e até que haja uma proteção adequada sobre a impermeabilização deve ser proibida a entrada de pessoas estranhas ao serviço.  Estes cuidados são essenciais à manutenção da limpeza d área, fator de primordial importância para o êxito da impermeabilização.