PLANEJAMENTO
E EXECUÇÃO DA IMPERMEABILIZAÇÃO
1.2. Levantamento
da área a impermeabilizar
2. PASTA DE OBRA E ORDEM DE SERVIÇO
3. INSTALAÇAO DO CANTEIRO DA OBRA
4. PLANEJAMENTO E TÉCNICA DE EXECUÇÃO
4.3. Colagem das
mantas asfálticas
4.4. Fixação
mecânica da manta nos pianos verticais
4.5.3. Técnica de execução da argamassa sobre a impermeabilização
horizontal
4.6.Arremates com
lâminas de alumínio gofrado
PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO
DA IMPERMEABILIZAÇÃO
Ao ser chamado para
orçar um serviço de impermeabilização, o empreiteiro pretendente deve
inicialmente fazer uma cuidadosa vistoria da obra e adjacências e levantar
todos os dados necessários a um correto orçamento e um minucioso planejamento
de execução,
Para tanto, precisa
designar um técnico competente e muito experiente, Pois omissões e erros nestas
tarefas podem acarretar enormes prejuízos.
O técnico deve ser
dotado de "olho clínico" capaz de discernir Pequenos detalhes e ser
capacitado para relatar sucintamente suas observações.
Neste item abordaremos
o que deve ser vistoriado, levantado anotado.
Ao fazer a vistoria do
canteiro da obra, o técnico deve ter em vista:
a) Quanto à
acessibilidade para os operários:
- os meios de condução,
distância do ponto de ônibus, etc.;
- as prováveis despesas
extras com subsídios de condução para os operários;
- o horário de
trabalho.
b) Quanto aos
transportes para o material e as máquinas:
- as condições da
estrada;
- no horário de
descarga e estacionamento;
- a distância entre o
ponto de parada do caminhão e o depósito do material;
- as passagens estreitas
ou elevações a serem transportadas;
- os auxílios
disponíveis na obra, quanto a operários, carrinhos, etc. ,
c) Quanto ao local para
guarda de material e ferramentas:
- as dimensões do lugar
designado;
- a localização e
segurança contra roubo e fogo;
- caso haja necessidade
de montar um barraco, por conta de quem ficará esta responsabilidade.
d) Quanto aos meios de
transporte internos do material:
- a distância e os
caminhos a serem percorridos;
- os elevadores,
guinchos e plataformas disponíveis;
- as escadas e os
andaimes disponíveis;
- os carrinhos ou
carros disponíveis;
- a disponibilidade dos
meios existentes, quando também usados pela construtora e por outras sub -
empreiteiras.
e) Quanto à luz, força
e água:
- por conta de quem
ficarão os pontos de luz e as lâmpadas, em locais escuros (caixas d'água,
subsolos, etc.);
- as distâncias para
levar os pontos de força e de luz;
- a voltagem e a
capacidade da instalação existente;
- as disponibilidades
em ferramentas, fita isolante, lâmpadas, fusíveis, fios e cabos;
- o abastecimento
d'água - pressão, volume, disponibilidade de mangueiras, tambores, caixas - e a
qualidade da água.
f) Quanto às
instalações sanitárias:
- se poderá ser
aproveitada a instalação existente;
- se será precisa a
construção de uma instalação provisória.
Quanto à área a
impermeabilizar, o técnico deve:
a) fazer a medição da
área (acompanhada de um "croquis" dimensionado, mostrando a planta
baixa, as elevações e cortes);
b) indicar a
disposição dos ralos e pontos de escoamento da água;
c) indicar os declives e
caimentos existentes ou a serem executados;
d) a qualidade das
superfícies (horizontais e verticais);
e) as demolições
necessárias;
f) em obras da reforma, os materiais
de acabamento que deverão ser reconstituídos ou substituídos;
g) fazer as remoções necessárias;
- o cálculo do volume
do entulho;
- a sondagem das áreas,
removendo material em alguns lugares para prevenir dificuldades que possam
surgir (aparecimento de tubulações, etc.);
h) no caso, de áreas adjacentes e empenas
altas, avaliar os possibilidades de queda de sujeira e entulho durante o
transcurso da obra;
i) relativamente às instalações hidráulicas
(detalhes ligados à impermeabilização), indicar:
- o material dos tubos
(se plástico, ferro, fibro - cimento, etc.).
- o diâmetro dos tubos;
- a extensão da
projeção dos tubos para dentro das caixas d'água;
- os tubos que correm
horizontalmente por baixo da impermeabilização e por baixo da laje impermeabilizada
e que têm junções passíveis de vazamento;
- as extremidades das
prumadas de águas pluviais, cuja altura deva ficar acima da laje;
- os ralos, bocas de
lobo, buzinotes, etc., existentes.
j) no caso de piscinas,
indicar também:
- o sistema de
instalação dos holofotes;
- os detalhes dos tubos
de entrada e saída da água;
- os detalhes da
drenagem do fundo, assim corno canaletas e poços.
Após a contratação do serviço
o primeiro passo é abrir uma "pasta de obra", que terá a finalidade
de arquivar toda a documentação da obra, tais como: orçamentos, levantamentos e
cálculos, contratos, ordens de serviço, requisições de material e ferramentas,
notas fiscais, pedidos de compra, controle de horas, etc.
Deverá constar também
no "pasta da obra" os nomes dos responsáveis pelo cliente, seus
telefones e endereços. A "pasta de
obra" serve para controlar e apurar os seguintes elementos:
- consumo de
mão-de-obra e seu custo;
- consumo de material e
seu custo;
- devolução de
ferramentas, máquinas e sobra de materiais;
- lucros ou prejuízos
que resultarem da obra.
A ordem de serviço deve
ser um documento que contenha todas as instruções necessárias para que os
responsáveis não tenham dúvidas quanto às tarefas a executar. Deve incluir relação completa de
ferramentas, máquinas, materiais e, de preferência, vir acompanhada de um
desenho mostrando detalhes da execução.
O desenho deve conter o "de acordo" do responsável pelo
cliente, para evitar as alterações durante a execução e, no caso de acréscimos,
permitir que estes possam ser comprovados para o acerto financeiro. A correta
preparação da ordem de serviço é a chave do sucesso. Por seu intermédio, evitam-se mal-entendidos sobre as tarefas e
serviços a serem feitos, prevendo-se ainda:
- envio de ferramentas
e apetrechos;
- envio de material para a impermeabilização e de outros, tais
como: querosene para limpar broxas, rolos de pintura, detergente, vassouras,
estopa, baldes., etc.;
- envio de botijões de gás.
Antes de despachar
qualquer material, o responsável pela impermeabilização precisa ir ao local
para combinar com o cliente ou seus responsáveis onde o material e as ferramentas
serão guardados e quem orientará a descarga e arrumação, quem fará o controle
quantitativo e qualitativo (danos durante o transporte dos materiais e
máquinas) e quem será o encarregado da segurança contra incêndio e roubo. O local de estocagem necessita de especial
atenção, devendo ser escolhido de modo a facilitar a movimentação do material
dentro da obra e ficar o mais próximo possível do ponto de aplicação.
Antes de iniciar o
trabalho, o responsável deve deter-se no planejamento das seqüências da
execução, para que o trabalho obedeça a uma ordem racional. Há uma tendência muito humana em deixar as
partes mais difíceis por último. Isto
traz grande prejuízo em perda de tempo e de material e compromete a obra. Se existem detalhes de difícil solução ou
execução, devem ser resolvidos primeiro.
As obras de reparos e reformas requerem especial cuidado e devem ser bem
planejadas, para evitar infiltrações durante a execução.
Todas as obras de
impermeabilização com mantas asfálticas (coberturas, terraços, caixas d'água,
etc.) devem ser iniciadas pelo preparo dos cantos periféricos, e depois dos
pontos de escoamento ou de entrada da água.
Se houver necessidade
de emendar peças, por ser o comprimento do canto maior do que a extensão da
manta asfáltica, ou para aproveitamento da manta asfáltica, as emendas devem
ser feitas com as peças colocadas no piano horizontal (sobre o solo, etc.),
antes de sua aplicação.
O canto horizontal é
executado primeiro, da forma mostrada na figura abaixo, colando-se somente a
parte que sobe na vertical e deixando-se a parte na horizontal totalmente
solta.
Em seguida aos
horizontais, são executados os cantos verticais, como vemos na próxima figura.
Na mesma figura podemos
ver como deve ser arrematado o furo do encontro de cantos. Cola-se por baixo uma peça conforme mostra o
desenho.
Em todas essas
operações, com exceção do encontro entre os cantos horizontais e verticais, mantém-se
o maçarico afastado da linha crítica onde a manta asfáltica dobra o canto,
evitando-se um possível enfraquecimento deste por excesso de calor, justamente
onde há maior solicitação. O
encarregado da fiscalização verificará se houve má execução desse serviço pelo
aspecto do filme de polietileno. Deve
verificar-se nos ângulos internos da área impermeabilizada se a manta está
devidamente apoiada à base.
O desenho seguinte
mostra uma forma errada de se executar os cantos e que nunca deve ser seguida,
porque as emendas transversais aos cantos, ao se esfriarem, encolhem por
contração da manta asfáltica, ficando esticadas e deixando, em conseqüência, um
vazio.
Por falta de apoio
nesses lugares, as mantas asfálticas se rompem facilmente quando os revestimentos
são aplicados.
Após aprontados os
cantos, executam-se os demais detalhes, como os pés de colunas, entradas e
saída de água (tubos externos e internos).
Os três desenhos
seguintes mostram como executar um pé de coluna.
A fixação das mantas
asfálticas nos tubos externos deve seguir a seqüência de execução que vemos nos
próximos três desenhos.
Para a execução dos
tubos internos, a técnica de execução é mostrada, também, na série dos quatro
desenhos seguintes:
Uma vez concluídos
todos esses detalhes, impermeabilizam-se os planos verticais seguidos dos
horizontais, com a transposição usual de 10cm sobre cada pano aplicado.
O detalhe de execução
que exige maior atenção é a fixação das mantas asfálticas nos planos verticais.
A escolha do sistema
depende do local das obras:
- obras ao ar livre;
- obras em locais
fechados.
a) Obras ao ar livre:
Podemos optar entre os
seguintes sistemas:
- colagem com “PREJUNTER”;
- colagem com “PLASTIPEGANTE”;
- colagem por fusão do
asfalto, sobre pintura com “PLASTIPEGANTE”.
b) Obras em locais fechados:
Podemos optar entre os
seguintes sistemas:
- colagem com “PLASTIPEGANTE”;
- colagem por fusão de
asfalto, sobre pintura com “PLASTIPEGANTE”.
O uso do “PREJUNTER”
é desaconselhado nos casos de locais fechados.
Ressaltamos que, para
uma boa aderência com “PLASTIPEGANTE” ou “PREJUNTER”, necessitamos de uma
superfície de base plana, sem ressaltes, sem grânulos de areia, sem sujeira,
porém absorvente.
Geralmente as
superfícies devem ser lixadas, escovadas, raspadas ou niveladas com massa (ver item
1.2 no capítulo “Preparação da Obra para Receber Impermeabilização”).
É sempre recomendável
que se cole um pedaço e manta de ± 0,5m x 0,5m para testar a base. Se ao arrancar a manta o revestimento se
desprender, este estará conde nado e deverá ser substituído. O teste também revelará quando o
revestimento está pouco absorvente, pois, neste caso, o adesivo não se fixará à
argamassa.
Os adesivos levam muito
tempo para adquirir sua resistência máxima e são formulados para não se
tornarem rígidos. Ao puxar a manta
asfáltica recém - colada, iniciando-se por uma das suas bordas, sempre será
possível destacar a peça. Por esta
razão, as bordas superiores devem ser sempre dobradas para dentro de um sulco
ou por cima das muretas.
No caso em que esta
solução seja exeqüível, deve-se recorrer à fixação mecânica, conforme item 4.4.
Ressaltamos a
importância de serem seguidas as instruções para o emprego dos adesivos “PLASTIPEGANTE”
ou “PREJUNTER”
e de se aplicar camadas finas.
Sempre que a manta
tiver que morrer no plano vertical por não se ter onde dobrar a borda superior,
é necessário prever-se uma maneira de prender a borda.
No caso de empenas e
paredes altas, expostas ao sol, necessário usar meios para ancorar também a
argamassa de revestimento, no topo e à meia altura, para evitar que se
desprenda junto com a manta.
O calor enfraquece o
poder de aderência e a massa geralmente tende a empenar. Estes fatores podem provoca a queda do
revestimento.
A fixação mecânica é
feita com pinos de aço, cravado com tiro de pistola (Sistema Waisywa). (vide
FIG. 123)
A argamassa de
proteção, nos planos horizontais, deve ser sempre executada no mesmo dia em que
a manta asfáltica é colocada.
Este serviço tem que
ser feito pêlos empreiteiros de impermeabilização. Em nenhuma hipótese deve ficar a cargo de terceiros.
A argamassa recomendada
é de traço 1:6, cimento e areia. Devem
ser, usadas. réguas de madeira com 1,5cm de espessura como mestras. A superfície deve ser sarrafeada e
razoavelmente desempenada. As canaletas
deixadas ao se retirar as réguas que serviam de mestra não devem ser
completadas com argamassa, mas sim com MASTIQUE. Deve-se também usar réguas em todo o contorno, para que a massa
não encoste nas muretas que limitam a área.
A argamassa de proteção deve ser aplicada mesmo que se planeje executar
uma pavimentação logo em seguida à impermeabilização.
Os revestimentos de
pianos verticais devem ser executados dentro dos seguintes esquemas:
a) Com adesivo “PLASTIPEGANTE”
Aplicar o
adesivo líquido à base de asfalto e elastômero emulsionado, sobre a manta
asfáltica e espargir areia seca sobre o produto ainda fresco. Deixar
secar. Chapiscar com massa forte
1:2. Revestir com massa 1:5. Manter o revestimento molhado- durante 3
dias, pelo menos, espargindo água várias vezes ao dia.
b) Com adesivo “PREJUNTER”
Aplicar o
adesivo asfáltico e chapiscá-lo, em seguida, com massa forte 1:2. Revestir com massa 1:5.
Manter o revestimento
molhado durante 3 dias, espargindo água várias vezes ao dia.
O traço da argamassa
deve ser executado com cuidado, para evitar que trinque ou empene. É
indispensável o uso de tela para armar a argamassa de revestimento, sempre que
esta vá formar um ângulo externo
Quando na confecção da
argamassa for utilizado um aditivo aerante, na proporção de 1/4 de litro para
cada saco de cimento, torna-se desnecessário manter a superfície molhada
durante muitos dias.
c)
Nos revestimentos verticais sobre mantas asfálticas é necessário que a execução
da argamassa seja iniciada ao pé da parede, para que se apoie no piso e
progrida de baixo para cima, a fim de permanecer auto - sustentada. Quando inexistir apoio na base da parece
(grandes empenas, etc.), este apoio deve ser criado através de fixação
mecânica, como está descrito no item 4.4. deste capítulo, uma vez que a
aderência da argamassa sobre a manta asfáltica somente evita que esta tombe
para o lado. Não é permitido que se
pendure o peso da argamassa sobre a manta asfáltica.
a) À proporção que as mantas asfálticas
impermeáveis são aplicadas devem ser cobertas com argamassa de proteção
mecânica, no traço 1:6 (em volume), cimento e areia.
b) Para que
haja uma perfeita cura, é necessário que se molhe a argamassa, após sua
aplicação, várias vezes ao dia (em função da intensidade do .sol), durante os
primeiros quatro dias. O uso do
impermeabilizante da superfície (selador) ajuda a retardar a evaporação da
água, promovendo uma cura uniforme, evitando a molhagem.
c) Nos casos
específicos de obras em subsolos, onde são armadas lajes sobre a
impermeabilização, é necessário que a argamassa de proteção tenha, pelo menos,
5 cm de espessura e seja feita no traço 1:4 (em volume), cimento e areia.
d) Lembramos que a impermeabilização
industrializada com mantas asfálticas constitui-se de uma camada termoplástica
intercalada entre os elementos estruturais e as pavimentações rígidas. Por conseguinte, essas pavimentações devem
ter peso suficiente e estabilidade dimensional para não serem arrancadas pelo
vento ou sofrerem deformações, uma vez que a camada impermeabilizante não faz a
ligação entre os outros dois elementos (maiores detalhes no item
1.2. de Capítulo “Informações para os Construtores – Execução dos
Serviços Após a Impermeabilização”).
OBSERVAÇAO
Não podemos deixar de
destacar a necessidade do controle da evaporação da água nas argamassas
aplicadas sobre a impermeabilização, pois constatamos que o correto
procedimento é bastante negligenciado em quase todas as obras.
O resultado de se
permitir a secagem da argamassa, ao invés de se promover a cura, é que o
revestimento empena e perde resistência.
Faz-se um traço forte e obtém-se um revestimento fraco.
Por vários razões técnicas, os revestimentos aplicados sobre as
mantas asfálticas têm, às vezes, uma aderência maior do que a aderência destes
com a base. Assim, ao secar
rapidamente, a argamassa, em vez de curar dentro das normas aqui delineadas,
irá fletir (empenar) e poderá levar consigo a manta impermeável, afastando-a do
paramento.
O engenheiro responsável pela obra não deve permitir o uso de
saibro nos agregados. O saibro (ou
areia de emboço) confere liga à argamassa, ajuda a sua aplicação, porém provoca
trincas de contração. Por este motivo,
só devem ser usados, na argamassa, areia lavada e cimento. Este problema pode ser resolvido com o
emprego de um aditivo aerante, que confere liga à argamassa, sem as inconveniências
do uso de materiais argilosos.
Reafirmamos que, sejam quais forem os traços e os agregados usados,
é importante manter o revestimento molhado durante pelo menos os quatro
primeiros dias, ou empregar o selante (retardador de evaporação da água).
O uso de mantas de
alumínio gofrado, com camada de berço asfáltico incorporado, deve ser o sistema
preferido para arremates e acabamentos de planos verticais em muretas, laterais
de calhas, beirais, etc.
Os acabamentos com
argamassa, nestes lugares, são sempre sujeitos a vários problemas, tais como
trincas e rachaduras, empenamentos, desprendimentos e desagregações, além de
demandar muita mão-de-obra para sua execução.
Os arremates com lâmina
de alumínio gofrado, com berço de asfalto incorporado, são mais rápidos de
executar e melhoram a aparência.