INFORMAÇÕES PARA OS CONSTRUTORES. EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS APÓS A IMPERMEABILIZAÇÃO

 

1. REVESTIMENTOS DE PROTEÇÃO E PAVIMENTAÇÃO. 2

1.1. Responsabilidades dos empreiteiros da impermeabilização. 2

1.2. Necessidade das juntas de dilatação. 2

1.3. Revestimentos de proteção: 3

1.4. Piscinas e jardineiras. 3

2. SERVIÇOS COMPLEMENTARES NAS COBERTURAS. 3

3. ISOLAMENTO TÉRMICO POR CIMA DA IMPERMEABILIZAÇÃO  3

4. COMENTÁRIOS COMPLEMENTARES SOBRE O DESEMPENHO DOS REVESTIMENTOS EXTERNOS DAS EDIFICAÇÕES. 3


INFORMAÇÕES PARA OS CONSTRUTORES. EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS APÓS A IMPERMEABILIZAÇÃO

1. REVESTIMENTOS DE PROTEÇÃO E PAVIMENTAÇÃO

1.1. Responsabilidades dos empreiteiros da impermeabilização.

O empreiteiro da impermeabilização entrega o serviço sempre com argamassa protegendo a manta impermeável.

Esta argamassa de proteção superficial é feita com traço fraco, para que trinque e não ofereça resistência nem ao contra - piso nem ao piso acabado.

Ao construtor cabe o acabamento final, que geralmente não está definido durante a contratação dos serviços de impermeabilização (vide capítulo “Execução de Projetos com Vista à Impermeabilização”, itens 4.4. e 9.1.)

1.2. Necessidade das juntas de dilatação

É freqüente ouvir-se reclamações relativas a pisos que se levantaram, ficaram estufados ou trincados.  Esses defeitos são erradamente atribuídos ao comportamento da manta impermeável, quando esta é colocada não aderida à laje, como é o caso da manta asfáltica com armadura de polietileno.

É um erro essa dedução.

Uma camada protetora de argamassa sobre a manta impermeável, se for corretamente aplicada, constitui-se em uma peça rígida que não empena, mesmo que não seja aderida à base, pois fica estável pelo seu próprio peso.  Suas dilatações e contrações, motivadas por diferença térmica, poderão provocar trincas e rachaduras, principalmente se a camada protetora não puder movimentar-se, isto é, se estiver confinada entre - paramentos.  Estando livre, a camada protetora não oferecerá nenhuma resistência à movimentação da camada do contra - piso e do piso final. É necessário deixar, no contra - piso e no piso final, um afastamento de, pelo menos, 20mm em todo o contorno da área, junto aos paramentos verticais, e não executar panos com mais de 5 m de extensão sem deixar juntas de dilatação.  Quando isto não é feito, ao sofrer dilatação ou expansão, as camadas rígidas empurram as muretas para fora.  Se estas resistem, dá-se o levantamento do piso no meio da área.

Um engano curioso ocorre com os pisos de alta resistência, que levam tiras de metal ou plástico para formar as juntas das placas.  Estas tiras são adequadas para pisos internos cobertos, mas não funcionam como juntas de dilatação para pisos expostos ao sol.

Os revestimentos de proteção e as pavimentações precisam de um tratamento todo especial quando as lajes são cortadas por juntas de dilatação.  Nestes casos ocorrem graves defeitos nos pisos, que somente podem ser evitados obedecendo-se à seguinte orientação:

- As juntas de dilatação separam a construção em unidades de blocos que são livres para sofrer dilatações, contrações e acomodações, sem interferir um com o outro.  Por existir esta independência de movimentos, é necessário que os revestimentos dos pisos também se mantenham solidários ao bloco sobre o qual são aplicados.

Não havendo um adequado confinamento, os pisos podem acabar escorregando por cima das juntas, de forma imprevista.  Por este motivo, a forma construtiva preferida deve ser aquela que mostramos no desenho da página 48, que separa os blocos por vigas invertidas.  Quando a utilização da área não admite que este tipo de obstáculo venha a atravessar a laje, como, por exemplo, em um parqueamento, então é necessário recorrer ao artifício que mostramos no desenho da página 48, que mostra a junta de dilatação no plano da laje, dotada de duas vigotas de concreto, uma de cada lado da junta, conectadas, mediante grossos pinos de ferro de construção, à laje, de modo que sirvam de encosto para o revestimento do piso, obrigando este a trabalhar em harmonia com a laje.

1.3. Revestimentos de proteção:

A argamassa de proteção temporária tem duas funções

a) Proteger as mantas impermeáveis durante o intervalo entre sua colocação e a execução da pavimentação nobre;

b) diminuir o efeito da agressão por atrito, que é provocado pêlos revestimentos muito rígidos e duros, quando estes se dilatam e contraem sob o efeito das variações de temperatura.

A argamassa de proteção temporária é feita com o traço fraco e não resiste muito tempo aos excessos de tráfego de uma obra em construção.  Por isso é necessário executar a pavimentação ou piso no menor tempo possível.

1.4. Piscinas e jardineiras.

Grandes jardineiras e piscinas apresentem um caso específico, pois, cheias de terra ou de água, seus revestimentos são estáveis, dispensando juntas de dilatação.  Após a execução, pode haver um intervalo longo antes da colocação de terra ou da água.  O procedimento correto é executar a impermeabilização e o revestimento somente quando existirem condições para colocar a terra ou a água imediatamente depois.  No caso de uma piscina, existe ainda a possibilidade do usuário esvazia-la e deixá-la seca por muito tempo, expondo o revestimento ao sol.  O construtor deve precaver-se para não ser responsabilizado pêlos danos que poderão ocorrer como resultado desse erro.

Nas jardineiras não devem ser executados juntas de dilatação, pois as raízes das plantas podem penetrar por elas e perfurar a impermeabilização.  Por este motivo o revestimento deve ser inteiro e, para evitar problemas, deve-se colocar a terra logo que a impermeabilização e o revestimento estiverem prontos.

Em caixas d'água e piscinas os vazamentos ocorrem com mais freqüência junto aos canos. É necessário evitar que os bombeiros girem os canos durante as instalações, pois isso pode romper a ligação entre estes e a impermeabilização.

2. SERVIÇOS COMPLEMENTARES NAS COBERTURAS

Nos terraços e coberturas é necessário estudar com toda atenção qualquer implantação de antenas, grades, tubos de ventilação, etc.  Se houver necessidade de executar estas instalações depois de feita a impermeabilização, deve-se construir blocos de concreto para servir de base, acima do piso, evitando assim a perfuração da membrana.  Não havendo outra solução, o serviço precisa ser bem estudado com o empreiteiro da impermeabilização.

3. ISOLAMENTO TÉRMICO POR CIMA DA IMPERMEABILIZAÇÃO

No caso de isolamento térmico colocado por cima da impermeabilização, é necessária muita atenção com o escoamento da água, que precisa ser feito ao nível da impermeabilização e, em hipótese alguma, ao nível do piso, sobre o isolamento.  Como todos os materiais isolantes térmicos são leves, eles flutuam na água.  Se esta não encontrar saída por baixo do isolamento, todo o piso passará a flutuar e a nadar na água represada.

4. COMENTÁRIOS COMPLEMENTARES SOBRE O DESEMPENHO DOS REVESTIMENTOS EXTERNOS DAS EDIFICAÇÕES

Temos conhecimento, através de jornais e revistas, do crescente número de compradores e usuários protestando e acionando juridicamente as construtoras, insatisfeitos com o mau desempenho dos revestimentos externos.

Por questões econômicas, as construções modernas tendem a reduzir a espessura das estruturas e paramentos, passando o revestimento externo a ter mais importância do que o simples elemento de efeito decorativo.

Torna-se cada vez mais necessário que os técnicos, ao especificarem um revestimento, conheçam suas características de aplicabilidade, durabilidade, impermeabilidade, flexibilidade, resistência química e ao intemperismo etc., além do conhecimento das condições a que o mesmo ficará exposto. Assim poderão conciliar os aspectos técnico e econômico, optando pelo material que oferecer o melhor desempenho e economia.

O revestimento externo é o responsável pelo tempo de vida útil, tanto do substrato, como do acabamento final de uma parede, de uma empena, etc.  Por isso, é necessário que as camadas de argamassa sejam uniformemente aplicadas e que sejam isentas de componentes orgânicos e de componentes re-hidratáveis.  A argamassa deve ser composta somente de cimento e areia, e ambos devem ser dosados adequadamente para que esta mistura seja aplicada de forma contínua e uniforme.  A participação do cimento deve, preferencialmente, ser decrescente, sendo maior na primeira camada, em contato com a alvenaria.  A argamassa inorgânica é feita de cimento/areia/aditivo/água, em traços que variam de 1:2 até 1:12, dependendo do grau de resistência que se deseje em todo o corpo ou espessura da argamassa.  Ela deve ter uma superfície perfeitamente desempenada, aprumada, nivelada e com textura uniformemente acabada.  Ela não deve conter cal, argila ou outro componente que se possa reidratar ou decompor, ou oferecer condições para o aparecimento de micro - organismos, formando o bolor.

A cal vai sofrendo um processo lento de expansão, que pode demorar vários meses, começando a ocorrer o empolamento da argamassa de revestimento.  Esta expansão pode ocorrer porque a cal ainda não estava totalmente extinta, ou devido à presença de magnésio contido às vezes na cal.

Podem também aparecer vesículas nos revestimentos, devido à existência de impurezas, como: mica, pirita e matéria orgânica, principalmente quando os conglomerados são envolvidos pelo leite da cal, o que traz como conseqüência, a longo prazo, a desagregação da argamassa, causando aquele fenômeno, que se estende por todo o revestimento de acabamento.

A ligação entre a pasta de cimento e o agregado fica fragilizada, ou ocorre até a inibição de pega, quando a areia contém matérias orgânicas, tais como: húmus, madeira, carvão, etc.

A existência de compostos de ferro (ex.: pirita) pode também provocar a desagregação da argamassa, porque o ferro, na sua oxidação e hidratação, aumenta de volume.

Os traços que recomendamos são:

- Chapisco forte - 1:2

- Chapisco médio - 1:4

- Argamassa forte - 1:3

- Argamassa média - 1:6

- Argamassa fraca - 1:12

Além destas considerações, os revestimentos devem possuir as seguintes características:

1.  Deverão ser impermeáveis à água projetada (chuva, etc.), mas permeáveis ao vapor d'água, o que favorecerá a estabilidade do substrato.

2. Depois de secos, os revestimentos não deverão ser afetados pela água e devem apresentar boa resistência ao ozônio, a radiações solares, variações de temperatura e atmosferas poluídas.

3. Deverão apresentar resistência química compatível com as condições a que ficarão expostos.

4. Preferencialmente deverão ser escolhidos os materiais inodoros, atóxicos e não inflamáveis.