CORROSÃO
DO CONCRETO E DAS ARMADURAS.
1. PATOLOGIA DO
CONCRETO ARMADO
2. DETERIORAÇÃO ACELERADA DO CONCRETO
2.1. Porosidade
no Concreto Armado
2.2. Formação de
fissuras no concreto armado
3. AVALIAÇÃO DO ESTADO DE DETERIORAÇÃO
3.4. Resistência
à tração (teste de aderência).
3.5. Profundidade
de carbonatação
3.6. Espessura do
recobrimento
3.8. Percentagem
de cloros e outros agressivos químicos
4. RECUPERAÇAO DO CONCRETO ARMADO
4.2.1. Recobrimento com argamassa especial
4.2.3. Cuidados com
o concreto
4.3. Reenchimento
(recomposição)
4.4. Escolha da
argamassa de enchimento
4.4.1. Características (apropriadas)
4.4.3. Argamassa
composta com resina epóxi.
5. TEMPERATURA E UMIDADE - O QUE CAUSAM NO CONCRETO
5.1. Efeitos da
temperatura e umidade
5.2. Movimento
devido à umidade
5.3. Movimento
devido à temperatura
5.4. Consideração
básica na fase do projeto.
5.6. O concreto
como protetor da armadura
6. PROTEÇÃO DO CONCRETO ARMADO
6.1. Proteção do
concreto aparente
6.2. Tintas para
pintura do concreto
6.3. Polímeros em
dispersão aquosa
CORROSÃO DO CONCRETO E
DAS ARMADURAS.
INTRODUÇÃO
O concreto não teria
tanta importância na construção se não fosse possível armá-lo com ferro,
Até alguns anos atrás
considerava-se que o concreto armado, bem executado, teria uma duração
praticamente ilimitada. Tanto a
experiência como as observações levaram ao conhecimento de que, quando o
concreto armado fica exposto à umidade, a sua duração será bastante limitada, a
não ser que se proteja o, concreto, superficialmente, do fenômeno denominado
carbonatação, e de outros agentes químicos agressivos.
Para que o concreto atue como meio de proteção das armaduras de
aço, deve:
- ter um traço bem proporcionado;
- ter um fator água/cimento conveniente e, dentro da plasticidade
desejada, o menor possível;
- ser bem misturado, lançado nas fôrmas e vibrado;
- sofrer um processo de cura adequado;
- a espessura de recobrimento deve ser a maior possível, mas nunca
menos de 2,5 cm.
Deste modo se obtém um concreto razoavelmente impermeável aos
agentes agressivos.
Quando o concreto é poroso ou apresenta trincas e fissuras, permite
a passagem de oxigênio, água, CO2 e gases poluentes, como SO2
e SO3, que vão deteriorando o próprio concreto e quando atingem a
interface concreto - aço, proporcionam as condições favoráveis ao processo de
corrosão eletroquímica das armaduras.
Os principais agentes químicos ambientais responsáveis pela
deterioração do concreto são:
- CO2, que
origina a carbonatação;
- ácidos;
- cloretos;
- sulfatos.
Como é demonstrado a
cada dia que passa, há um número crescente de estruturas de concreto armado a
se reparar, e a proteger as que estão sempre expostas. Os problemas são revistos continuamente em
simpósios, congressos nacionais e internacionais, em que são mostradas as
recuperações de edifícios de concreto aparente, feitas com o emprego de
polímeros líquidos.
Neste estudo
indicaremos as causas da patologia do concreto armado e o seu diagnóstico, os
sistemas para sua prevenção e recuperação, e o que julgamos importante:
argamassas poliméricas desenvolvidas para tal fim.
(OXIDAÇÃO DO FERRO)
O desenvolvimento
espetacular da construção nos últimos 50 anos foi devido, principalmente, à
utilização do concreto armado. Em que
pese estar ele exposto a problemas, na fase do projeto (concepção) ou durante a
construção da obra (desenvolvimento), os mais freqüentes são produzidos pela
ação dó tempo, que ocasiona a oxidação da armadura. Em uma atmosfera que, quimicamente, não ofereça agressividade e
onde não haja acidentes, como incêndios, um concreto armado bem executado terá
uma vida útil de cerca de cem anos.
Na realidade, com raras
exceções, dificilmente se encontra no Brasil um concreto armado da estrutura de
uma edificação, há mais de 30 anos exposto à umidade ambiental, em que já não
se tenha iniciado o processo de deterioração da ferragem (armadura).
As principais causas
que ocasionam a oxidação são:
Nos primeiros dias da
confecção o concreto tem alcalinidade, pela presença de hidróxidos e,
principalmente, de cálcio.
Neste nível de
alcalinidade o ferro está em situação passiva e não há perigo de oxidação.
Com o passar do tempo
vai diminuindo a alcalinidade, pela presença da umidade.
Com a diminuição do PH
o concreto não protege a ferragem.
No processo da oxidação
das ferragens há expansão e, em seguida, o desprendimento do concreto.
c) As reações químicas
que se processam na carbonatação são as seguintes:
CO2 + H2O
= H2CO3
Dióxido de carbono + água =
Ácido carbônico
H2CO3 + Ca(OH)2 = CaCO3 =2H2O
Ácido carbônico + Hidróxido de cálcio = Carbonato de cálcio +
água
CaCO3 + H2CO3 = Ca(HCO3)2
Carbonato de cálcio
+ ácido carbônico =
bicarbonato de cálcio (solúvel)
A velocidade do avanço
do processo de carbonatação é a seguinte: P = K ÖT, onde
P = profundidade
encontrada da carbonatação, em centímetros.
K = coeficiente de 0,2
para um bom concreto, e de 0,5 para um concreto de controle razoável.
T = tempo de vida do
concreto armado, em anos.
OBSERVAÇÃO
K é uma variável de difícil determinação, pois ela é uma dependente da
qualidade do concreto, em função da:
- porosidade do concreto
- espessura de
recobrimento
- velocidade da difusão
dos gases através do concreto
- atmosfera agressiva que
envolve o concreto, etc.
Para exemplificar, serão dados os seguintes
valores aos ermos da equação:
T = 25 anos K = 0,2,
então P = 0,2Ö25 = 1cm
Neste caso a velocidade
da carbonatação foi de 0,04cm por ano.
No caso de um concreto
com K = 0,5, o valor P passa a ser
P = 0,5 Ö25 = 2,5cm.
Para uma adequada
segurança, recomenda-se um recobrimento mínimo de 2,5cm para que a obra tenha
uma duração de, pelo menos, 50 anos, sem risco de corrosão das armaduras.
Para um concreto de
controle razoável P = 0,5 Ö50 = 3,54cm
e) Na
prática, usa-se uma solução alcoólica de fenolftaleína para verificar a ação
dos carbonos no concreto. Pingando-se o
reagente no concreto, se ele se mantiver incolor, o PH é menor ou igual a 9 e
ele carbonatou; se ele ficar rosa, o PH é maior que 12 e ele não carbonatou.
f) Se a qualidade do
concreto tiver sido comprometida, de forma a permitir a penetração do gás
dióxido de carbono (CO2), oxigênio (O) do ar e umidade (água H2O),
então o ferro (Fe) passa a ser atacado pela ferrugem.
A formação de ferrugem se processa pela seguinte reação:
Fe + CO2 + H2O è FeCO3 + H2
carbonato de ferro
FeCO3 + CO2 + H2O è Fe (HCO3)2
bicarbonato ferroso
que pela ação do
oxigênio ionizado, se oxida.
2Fe (HCO3)2
+ O2 è Fe2O3 .2H2O
+ 4CO2
óxido de
ferro hidratado.
A formação da ferrugem dá-se acompanhada do aumento de volume do
ferro, que atingirá várias vezes sua espessura original, fazendo com que, a
interface do concreto aderida ao ferro, se desprenda da armadura enferrujada e
em expansão, acelerando a destruição do concreto armado.
Ocorre a corrosão da
armadura quando o PH do concreto que envolve o ferro é igual ou inferior a 9, e
o concreto contém cloretos. Os
cloretos, na maioria das vezes, são incorporados aos concretos pelo excesso de
água, que leva cloreto de cálcio, pela presença do cloreto de sódio. A partir de 0,4% o cloreto de cálcio é de
grave risco, provocando a corrosão das armações, porém, no cloreto de sódio, a
gravidade se inicia a partir de 0,1%. O
cloreto de cálcio chega ao concreto que envolve as armaduras durante a
concretagem, através da água, da areia, da brita, ou simplesmente através da neblina
marinha: é o caso de nossas pontes e viadutos, próximos do mar ou sobre o mar.
Nos ambientes
industriais a agressividade química é mais freqüentemente devida às impurezas
do anídrico sulfuroso que, com a chuva, forma o ácido sulfúrico, neutralizando
a alcalinidade dos hidróxidos que se relacionam com o carbonato de cálcio,
dando, eventualmente, uma formação de cristais de gesso composto com alumínio,
o que leva a um aumento de volume, provocando o desprendimento do concreto
(orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro).
Especificamente os
agentes químicos têm a seguinte ação obre o concreto:
1º - Ação
dos ácidos
Os ácidos baixam o PH
do meio e reagem aos carbonatos eventualmente existentes.
2º - Ação
dos cloretos
Podem estar presentes no
concreto através de várias fontes: da água de amassamento, de certos aditivos,
da impureza dos agregados e da atmosfera, principalmente em locais perto do
mar.
A presença de íons -
cloreto que eletrólito (concreto úmido) modifica a distribuição das regiões ou
zonas de corrosão do aço, inclusive nas regiões de passividade do aço.
Deve-se ter cuidados
especiais com o concreto aparente, pois ele é poroso e permeável.
3o - Ação
dos sulfatos
Em certas regiões
industriais em que há emanação de óxidos de enxofre (SO2 e SO3),
estes penetram no concreto, reagem com a água, formando ácido sulfúrico, que
reage com o alumínio tricálcio de cimento, formando sulfo - aluminato de cálcio
hidratado. Esta última reação se dá com
grande aumento de volume, criando grandes tensões internas que desagregam o
concreto.
As causas expostas
anteriormente aceleram a oxidação das ferragens, além de termos de considerar:
a porosidade do concreto, as fissuras, a pouca espessura do cobrimento e a umidade
ambiente.
O excesso de poros, com
diferentes diâmetros, se esclarece conhecendo-se o processo de fabricação do
concreto, que fica relacionado à proporção da água e do cimento, chamada
relação A/C.
Neste processo de molhagem
do cimento, a água participa de 40%, em relação ao peso do cimento, sendo que
25% dela atua como água de cristalização e 15% como água de geleificação, e
fica absorvida, fisicamente desaparece, seca o cimento, dando lugar aos
canalitos ou poros, de diâmetro ao redor de 1,5mm. Se a percentagem da água superar os 40%, o excesso dará lugar a
poros de 4mm, quando acontece a evaporação. É fato que a existência dos poros
favorece a penetração da água e dos gases, que, em regiões de geadas, ocasionam
os fenômenos de gelo e degelo, que muito deterioram o concreto. Devemos levar em consideração que, quando
aumenta a relação A/C de 0,4 a 0,75, a velocidade de carbonatação se eleva ao
quadrado, porque o número de poros no concreto aumenta em 1/2 vez, (difusão de
CO2 em poros cheios de ar, item 1. l -b).
As fissuras no concreto
armado não podem ser evitadas, porém sua extensão pode ser limitada, de acordo
com a agressividade ambiental a que ficará exposto o concreto.
Em atmosferas
agressivas é sempre recomendado que o recobrimento da armadura seja superior à
espessura da carbonatação, para que não haja risco de oxidação nas fissuras de
largura inferior a 0,2mm. Nas atmosferas
marinhas e industriais, a largura de 0,1mm é bastante e, no caso de caixas
d'água, é recomendável que a largura da fissura seja inferior a 0,1mm.
Ver norma NB-1 de 1978
para projetos e execução de obras de concreto armado.
O cobrimento das barras
das armaduras varia de 2 a 6 cm.
Para decidir qual
sistema de recuperação faz-se necessário:
O exame visual
complementa-se com batidas, sobre a superfície do concreto, com um pedaço de
cano, para ouvir e avaliar as áreas ôcas do concreto (acústica).
A resistência à
compressão mede-se com um aparelho de impacto ou, para melhor exatidão,
extraindo-se uma parte do concreto e posteriormente, processando-se ao ensaio
de ruptura.
Adapta-se sobre o
concreto uma pipeta graduada, avaliando-se o índice de absorção da água em
função do tempo decorrido.
Aplica-se sobre o concreto uma pastilha de aço, colada com epóxi, e
submeter-se-á, posteriormente, à tração.
(porosidade e
capacidade de ligação).
A profundidade da
carbonatação é determinada cortando o concreto verticalmente e impregnando-o
com uma solução alcoólica de fenolftaieína.
A área que não ficar colorida indica o término e a profundidade da
carbonatação no concreto (item 1.1. b).
A espessura do
recobrimento do concreto sobre a armadura mede-se por meio do rastreamento, com
o detector de metais eletromagnético.
Quando a espessura é inferior à profundidade da carbonatação (item 3.5),
entende-se que a ferragem está oxidada.
A largura da fissura
mede-se com um microscópio que a focaliza a partir de 40 microns. Este dado deve relacioná-lo com a
profundidade da carbonatação (item 3.5) e o tipo de agressividade ambiental (ítem1.2.2.).
A percentagem de cloros
e outros agressivos químicos mede-se extraindo uma amostra do concreto que
esteja perto da ferragem e analisando-a quimicamente.
Analisados todos os
pontos da agressividade química que rodeia a estrutura de concreto armado,
especifica-se o sistema de recuperação e de proteção preventiva. Pode ocorrer que o grau de deteriorização do
concreto armado seja de tal magnitude que não seja possível salvar a
construção. Exemplo: Viaduto Faria
Timbó, pontes em diversas estradas em todo o Estado do Rio de Janeiro,
marquises que desabaram em outros Estados do Brasil e que foram obrigadas a
serem postas no chão ou substituídas por outras construções.
Em outras ocasiões
aparecerão fissuras no concreto, que nada têm a ver com a oxidação da
ferragem. Neste caso, processa-se à
injeção de compostos de epóxi fluido e rígido.
Caso a fissura não se mova é porque as causas que a provocaram desapareceram:
retração do concreto, assentamento, etc.
Se a fissura for dinâmica, deverá ser selada com um composto
termoplástico, porém, o mais freqüente, é que a fissura seja motivada pela
oxidação da ferragem. Neste caso, a
fissura se apresenta em linhas paralelas à armadura e, para prescindir da sua
eliminação, procura-se ver se o concreto que envolve a ferragem não está
carbonatado, se tem o PH alcalino, isto é, maior do que 10, e se a percentagem
de cloro é inferior à indicada em ítem 1.2.
A
recuperação de um concreto armado fissurado ou que já tenha perdido parte do
recobrimento e do brilho, por oxidação, consiste em sanear as partes
deterioradas e evitar que a ferragem venha a se oxidar, restaurando-o com um
material o mais parecido ao concreto quanto ao seu módulo de elasticidade,
porém, sem os defeitos que tinha o concreto, que deram origem à sua
deterioração:
a) Perda do revestimento
b) Apicoado ou jateado
c) Recoberto
A limpeza do concreto
deteriorado deve ser feita mecanicamente, até encontrar o melhor suporte que
tenha um PH maior que 9 e o percentual de cloro igual ao indicado no item
1.2. O ferro deve ficar totalmente descoberto em toda a área em que
se apresenta oxidado. A melhor limpeza
se faz com um jato de sílica, que é indispensável para a limpeza da
ferrugem. Há também outro modo de
tratamento: utilizar inibidor de ferrugem que, aplicado sobre a ferrugem do
ferro, transformada em fosfato de ferro e incorpora-lhe uma fina película de
asfalto. Se a seção do ferro da armação tiver escorrido (diminuído) em mais de
10%, ou não seja suficiente para a carga que vai suportar a estrutura, a
armação deve ser completada ou substituída por novas ferragens.
Nos pilares ou vigas,
se as ferragens estiverem muito oxidadas, os reforços se fazem mediante a
técnica de envolvimento, pela parte externa, com ferros achatados, isto é,
ferros mais achatados do que grossos, e compostos de epóxi.
Os ferros que pouco
diminuem de espessura e que se encontram enferrujados, devem ser tratados com
uma imprimação de inibidor de ferrugem, que tem propriedade fosfatizante, permitindo,
dessa maneira, uma proteção anti-oxidante, do tipo pintura, sobre a qual o
concreto novo tem uma boa aderência.
O concreto a ser
aplicado deve ser composto com uma argamassa especial, fabricada
industrialmente, à base de cimento, sílica e aditivos que provêm aderência e
pequeno graute.
Também se usa o
recobrimento com argamassa polimérica que é feita com mistura de cimento - cola
e uma dispersão de polímeros líquidos, desenvolvidos para esse fim. A argamassa de enchimento aplica-se
posteriormente ao trabalho do chapisco, que é feito com plastificante acrílico
(dispersão de polímeros acrílicos a serem misturados com cimento - cola até se
obter uma massa de consistência cremosa).
Plastificante acrílico/cimento - cola: 1/2 parte em volume.
No caso de recobrimento
com epóxi, faz-se a mistura dos componentes sem solventes e aplica-se em duas
camadas, porém, antes de fazer a segunda aplicação, deve-se verificar se a
primeira está dando aderência à segunda, pois há um tempo livre para promover
esta aderência.
Lembrar que a segunda
camada de epóxi tem dupla função: promover aderência tanto para a argamassa
hidráulica como para a argamassa de resina epóxi, que sempre se aplica quando a
segunda camada tiver aderência.
Nas misturas de sílicas
de granulometria de ± 0,2mm, projetadas manualmente, caso o tempo seja exíguo,
aplica-se a argamassa de enchimento no período aberto da aderência. Faz-se imprimação líquida de dois componentes
de epóxi, de 20 a 25ºC, com tempo de aderência de 3 horas.
Após a remoção do
concreto que envolve a área atacada do ferro, a superfície do concreto - base
precisa ser devidamente limpa, isenta de poeira e totalmente livre de elementos
soltos, isto é, deve-se deixar o concreto firme e coeso, para se lançar o novo
concreto.
Quando o ferro estiver
totalmente descoberto, deve-se observar se existe carepa a ser eliminada. Para tanto, deve-se bater, com outro ferro,
a superfície da carepa. Se a carepa é
simplesmente uma finíssima camada de óxido de ferro, de alta dureza e
fortemente aderida ao ferro base, processa-se à pintura com inibidor de
ferrugem em uma demão, como pré-primer, que, além de incorporar o óxido de
ferro (ferrugem) ao ferro base, transformará a ferrugem em fosfato,
perfeitamente aderido ao ferro base.
Passadas 72 horas da pintura feita com inibidor de ferrugem, verificar
se houve alguma parte da ferrugem que deixou de reagir com a superfície do
ferro base. Neste caso processa-se a
uma leve raspagem da área que não reagiu e repinta-se o local com o inibidor de
ferrugem.
As principais funções
do inibidor de ferrugem são:
a) Proteger a corrosão do ferro.
b) Eliminar os vestígios de ferrugem do
ferro.
c) Duplicar a proteção anticorrosiva do concreto.
d) Promover melhor aderência da pasta
cimento-cola.
e) Reduzir os efeitos da corrosão
eletroquímica.
Quando o volume da
argamassa de enchimento tem espessura (profundidade) superior a 6 cm, a técnica
de enchimento é a seguinte:
I - Os ferros deverão
estar protegidos, por mais de 72 horas, com inibidor de ferrugem “OXIPRIMER”.
II - Aplica-se uma nata
de cimento – cola “DIPLAS EXTRA FORTE” e, em seguida, a argamassa
industrializada, como argamassa de enchimento e graute “R MORTER”.
Para os demais casos, a
recuperação se faz com as argamassas industrializadas que podem ser preparadas
com polímeros líquidos que substituem a água de amassamento, obtendo-se assim
uma argamassa impermeável.
Há outras argamassas
feitas com resinas reativas, de endurecimento na temperatura ambiente, sendo
estas argamassas à base de epóxi.
O processo de aplicação
será diferente, porém, pois tanto a polimérica como a reativa, exigem que o
suporte receba uma imprimação prévia,
Para decidir sobre a argamassa
de enchimento, é necessário estabelecer as características mais relevantes a
exigir de cada obra de recuperação do concreto.
A argamassa de
recuperação será mais adequada quanto mais satisfizer às seguintes propriedades:
a) Máxima resistência à compressão e à
flexitração.
b) Máxima rapidez de pega e de
endurecimento.
c) Módulo de elasticidade e compressão similar ao
do concreto do suporte.
d) Máxima resistência ao CO2,
à água, tanto na forma liquida como na de vapor.
e) Ser isenta de fissuras, e sem nenhuma
retração.
f) Máxima resistência à agressividade química
ambiente.
g) Perfeita aderência ao concreto
suporte, superior à coesão do mesmo.
h) Menor custo de recuperação, tanto dos
materiais, como da mão-de-obra de aplicação.
Não é suficiente
introduzir uma parte de polímero em dispersão na argamassa de cimento e areia,
feita, de modo empírico, nas obras.
Para se conseguir uma
argamassa de recuperação de concreto, torna-se necessário fazê-la de acordo com
a parábola de Fuller, ou seja: y = 100 Ö/D sendo:
d
y = percentagem da
sílica que passa pelas peneiras.
D = tamanho máximo da
sílica, em mm.
d = abertura de cada
peneira utilizada, em mm.
Estes são alguns dos
requisitos para se conseguir uma argamassa com propriedades adequadas de
impermeabilidade e de resistência à compressão. Isto, em resumo, nos leva a uma argamassa absolutamente
inorgânica, duradoura, capaz de não se deteriorar, mesmo que fique exposta ao
intemperismo ambienta.
Neste caso o
aglomerante será constituído por resinas reativas que são encontradas em dois
componentes que, uma vez misturados, seu processo de endurecimento é rápido,
alcançando, em poucas horas, alta resistência mecânica.
Dessa maneira obtêm-se
as argamassas feitas com aglomerantes à base de epóxi. Estas argamassas superam tecnicamente as que
são compostas de polímeros acrílicos, exceto no que se refere ao módulo de
elasticidade; porém, no que se refere à aderência, há possibilidade de
aplicação de argamassa de maior espessura, e de mantê-la seca por longos anos e
imune aos agentes químicos.
Ela também é
recomendada quando se necessita alcançar, em poucas horas, maior resistência
mecânica, nos casos em que o enchimento supere a espessura de 6 cm.
Obs.: A temperatura de aplicação da argamassa
epóxi não deve ser superior a 60º.C, para evitar que, ao esfriar, os
esforços de cisalhamento que são produzidos na sua união com o concreto
suporte, afetem sua resistência à tração.
Nos projetos para
estrutura de concreto armado precisamos levar em consideração os efeitos da
temperatura, da umidade e da água, sobre a estrutura.
As variações de
temperatura provocam dilatações e contrações amplamente conhecidas, mas muitas
vezes esquecidas.
Menos conhecido ainda é
o efeito da variação da umidade sobre a estabilidade dimensional de uma
estrutura. Entretanto, existem fontes
de informações que alertam para as alterações dimensionais, oriundas das
variações da umidade.
As estruturas sofrem
também danos causados pela água, com os quais os engenheiros estão bem
familiarizados.
Conforme a composição
química da água e sua atuação, as estruturas podem ser agredidas e dilapidadas,
as ferragens podem enferrujar-se e levar a estrutura a uma erosão caótica ou ao
colapso total.
Estas afirmações são
verdadeiras e são comprovadas pela crescente atividade e desenvolvimento das
empresas especializadas na recuperação de estruturas de concreto,
principalmente pontes, viadutos, estádios e obras públicas em geral, que não
receberam a atenção de uma conservação preventiva.
Como é mais econômico
prevenir do que consertar, recomendamos que as diferentes partes de uma
estrutura sejam estudadas com o objetivo de dotá-las da proteção necessária
contra a agressão do meio ambiente e para que possam acomodar-se às dilatações
e contrações a que serão submetidas.
Apresentamos a seguir
uma análise detalhada dos efeitos da umidade e da temperatura:
a) O
concreto mudará sempre de volume, devido à variação da umidade contida nele.
b) Haverá contração,
devida à hidratação do cimento ao curar. (inicialmente o concreto é submetido a
grandes esforços, que devem ser eliminados com a instalação de juntas).
Uma vez ocorrida esta contração inicial, o concreto não recuperará
sua posição inicial e pode-se assegurar que a contração continuará com
intensidade decrescente, por um período de 3 anos depois da construção.
c) Uma vez o concreto endurecido, suas variações
são devidas à mudança de umidade, conforme as estações do ano
Estas variações podem
alcançar até 3,80 milímetros em uma laje de 30 metros, exposta às condições
atmosféricas, porém, nos casos citados, o movimento varia conforme o conteúdo
do cimento e a relação deste com a água.
a) O coeficiente
médio de dilatação do concreto é de 0.000014 por 1oC, porém este
coeficiente varia conforme a quantidade do concreto. Ele também é influenciado pelo tipo e origem do agregado
utilizado. Os compostos de sílicas dão valores elevados e os de pedra calcárea,
baixos. É sabido que o movimento térmico devido ao sol, nas estruturas expostas
a ele, pode ser de até l0,l6mm, numa laje de 30 metros.
b) O comprimento das
lajes tem singular importância nestas mudanças, devido às mudanças de
temperatura e à diferente natureza destas variações, e da diferença de
temperatura entre a parte superior e a parte inferior das lajes, criando ou
produzindo-se esforços de flexão nos extremos e, sobretudo, nos cantos. Estes
movimentos diferentes fazem com que as lajes se arqueiem. Estes fenômenos podem ser vistos facilmente
nos extremos das peças de concreto, onde haja uma marcada diferença de
temperatura, como sucede nas lajes de cobertura de um grande edifício que
estejam presas por meio de pilastras.
c) Quando o concreto é
submetido a uma carga forte e prolongada, podem ocorrer deformações plásticas,
ao tratar de livrar-se do esforço a que foi submetido.
A
magnitude deste efeito depende da intensidade e da duração do esforço.
Os movimentos que
aparecem numa estrutura de concreto não atuam, entretanto, igualmente.
A dilatação devida ao
aumento da temperatura opõe-se, às vezes, à contração devida à perda da
umidade, o que provoca grandes tensões na estrutura e a deformação plástica do
concreto.
O
projeto de uma estrutura que levar em consideração o postulado acima, mostrará
juntas de dilatação que terão a função de absorver os movimentos de que
falamos.
Os arquitetos precisam
também preocupar-se como farão a vedação destas juntas na execução dos
projetos.
O projeto precisa incluir o detalhe da vedação das juntas, senão a
obra tornar-se-á de difícil solução, ter-se-á que recorrer à improvisação em
vez do emprego de uma técnica projetada e adequada.
As empresas fabricantes
de produtos específicos para juntas podem fornecer uma assistência valiosa
durante a fase do projeto, quando os projetistas devem recorrer a elas para
solicitar sua colaboração e orientação.
Na proteção da
estrutura contra a agressão da água deve-se levar em consideração a forma como
a água atua, que pode ser:
a) por percolação
b) por pressão hidrostática
c) por capilaridade
d) por higroscopia (ambiente úmido).
O concreto, dependendo
da sua espessura e qualidade, é uma proteção alcalina para a armadura,
Quanto mais impermeável
for, melhor essa proteção. Assim, é
indicado no uso de aditivos que, de alguma forma, contribuem para a
impermeabilidade do concreto.
Os fabricantes produzem
os seguintes aditivos:
*Plastificantes
*Incorporadores de ar e
plastificantes
*Hidrófugos de
superfície
*Hidrófugos de massa
- Plastificantes
Usados quando se
pretende um concreto denso, mais resistente aos esforços mecânicos, em que se
pode fazer uma redução apreciável do fator A/C, mantendo trabalhabilidade e facilitando
o seu lançamento nas fôrmas, quando fresco.
- Incorporados de ar
plastificantes
Introduzem um certo
percentual de ar no concreto, interceptando os capilares e impedindo assim a
penetração de agentes externos. Permitem
a redução do fator A/C, tornam o concreto mais trabalhável e coeso, mas, apesar
disso, é preciso ter em conta que a resistência final é normalmente menor do
que a de um concreto sem este tipo de aditivo.
- Hidrófugos de
superfície
São pinturas que impedem a penetração no concreto de água ou outros
líquidos agressivos.
- Hidrófugos de massa
São aditivos incorporados ao concreto quando é amassado e agem como
repelentes à água no interior dos capilares.
Viu-se que um correto
processo de cura é fundamental na obtenção de um concreto sem trincas
superficiais, mais impermeável e com melhor resistência mecânica. Os processos de cura impedem a evaporação
prematura da água de amassamento. Os
produtos utilizados para serem aplicados sobre a superfície de concreto são a
base de resina emulsionada que, depois de secos, formam um filme protetor.
Se não tomarmos medidas
que impeçam a deteriorização dos concretos aparentes, os prejuízos dos usuários
serão elevados, razão pela qual é importante conhecer a atmosfera que envolverá
as estruturas do concreto aparente. Daí
a preocupação dos técnicos em proteger o concreto desde o início da obra, para
resguardá-lo da agressividade química ambientar. Não se deve esquecer o problema decorativo do concreto, que, com
o passar dos anos, vai perdendo sua uniformidade, dando ensejo ao aparecimento
de manchas, devido à carbonatação desigual e à ação dos fungos (humo) e da
umidade.
Quando uma obra é
projetada para ser executada em concreto aparente, poderá visar um dos
seguintes objetivos:
a) A estética:
O arquiteto incorpora o
aspecto do concreto em sua concepção arquitetônica.
b) O custo:
Eliminando-se os
revestimentos pretende-se reduzir os custos.
Se o objetivo principal
for produzir um aspecto estético, a única proteção que se pode dar ao concreto
é um verniz que seja transparente.
Se o objetivo for
unicamente o custo, é necessário levar em conta que uma obra de custo inicial
baixo pode ter elevados custos de manutenção ou se deteriorar prematuramente.
As estruturas de
concreto aparente, em muitos casos, apresentam problemas prematuros de
manutenção muito sérios e onerosos e uma razão para isto é o fato de que os
vernizes não têm longa duração. Se não
forem renovados a cada 3 (três) anos, deixarão de exercer sua função protetora
e o concreto ficará exposto ao intemperismo, que passa a agir no sentido de
produzir os fenômenos citados neste capítulo.
Se a espessura do recobrimento dos ferros tiver sido feita nos limites
inferiores das normas, os problemas se agravam. Então recomenda-se, para os casos de estruturas envernizadas, que
o recobrimento seja feito com ampla margem de segurança e a qualidade do
concreto seja a melhor possível.
Deve-se também lembrar
que o apicoamento, quando usado, reduz a espessura. Se o objetivo for econômico, recomenda-se então que o concreto
seja pintado e não envernizado, escolhendo-se uma tinta que o fabricante possa
garantir, no mínimo por S anos, com uma expectativa de vida de 10 anos. A tinta pode evidentemente imitar a cor do
concreto.
Uma tinta é sempre mais
durável do que um verniz porque contém pigmentos e cargas que em muito
contribuem para o seu bom desempenho.
A maneira mais
econômica de se proteger o concreto armado da carbonatação e da agressividade
química ambiental, é fazer-se um tratamento contínuo, tipo pintura. Para se comprovar o desempenho de uma
pintura que impeça a penetração de gases agressivos para o interior do
concreto, deve-se submeter a tinta a um ensaio que determine sua
permeabilidade.
Todas as tintas e vernizes permitem a migração do vapor
d'água em determinado grau; existem, porém, produtos mais permeáveis e outros
menos permeáveis. A relativa
resistência à migração depende, essencialmente de três fatores:
- tipo de veículo (resina)
usado
- teor de cargas e pigmentos
- espessura da película.
Nota-se que, quanto maior o teor do veículo (resina) maior será a resistência
à migração dos gases, porém, a durabilidade da tinta é maior quando contém
cargas e pigmentos. Os vernizes
incolores deterioram-se mais rapidamente do que as tintas. Então, na escolha de produtos, deve-se dar
preferência a uma tinta rica em resina e que apresente maior resistência à
migração dos gases, o que terá de ser determinado por ensaio. Uma característica geral que os ligantes de
um revestimento devem ter, para o tratamento protetor do concreto, é a sua
resistência à alcalinidade e aos raios ultravioletas.
São as
pinturas denominadas "pinturas plásticas", que se caracterizam: pela facilidade de aplicação, pela secagem,
pela evaporação rápida da água nelas contidas, pela sua aderência aos suportes
úmidos, pela sua enorme resistência ao intemperismo e pela elevada participação
de resina, que torna a pintura praticamente inalterável frente à radiação do
ultravioleta. Existem também polímeros
em dispersão, especialmente estudados para misturar-se com cimento Portland e
obter-se, assim, pinturas e recobrimentos hidráulicos poliméricos. Para se escolher o tratamento adequado,
deve-se, estabelecer as características de cada obra em concreto aparente,
assim como as características dos materiais encontrados no mercado:
inalterabilidade da reação alcalina do concreto e exclusão dos materiais
sensíveis à saponificação.