4. BARREIRA DE VAPOR NO
ISOLAMENTO TÉRMICO
4.1. Parede de
câmara frigorífica
4.2. Isolamento
de vasos e tubulações
5. PRODUTOS PARA BARREIRA DE
VAPOR
5.1. Produtos à
base de água (emulsões asfálticas)
5.2. Produtos
asfálticos à base de solventes
5.3. Produtos à
base de lâmina de alumínio gofrado
Para melhor compreensão
do texto, recordaremos inicialmente o significado de algumas expressões:
a) Barreira de Vapor
Membrana que impede a migração do vapor
d'água.
b)Vapor d'água
Gás presente na atmosfera em quantidade variável, resultante da
evaporação da água.
b) Umidade Relativa (UR)
Valor, expresso em percentual, da relação entre o peso verdadeiro
do vapor d'água contido em 1m3 de ar e o peso do vapor d'água
contido em de ar saturado, nas mesmas condições de temperatura, ou seja: Peso
verdadeiro do vapor d'água por m3 de ar x 100, a dividir pelo peso
do vapor d'água por m3 de ar saturado
d)Pressão do vapor
d'água
Fração da pressão
atmosférica, proporcional ao teor de vapor d'água (umidade relativa) expresso
em kgf/cm2 ou em coluna d'água ou em mercúrio. Esta pressão consta das cartas psicométricas
ou tabelas de vapor.
e) Ponto de orvalho
Quando a temperatura de
uma massa de ar começa a diminuir, aumenta a umidade relativa (UR), porque
diminui a capacidade do ar de reter vapor d'água. Atingida e ultrapassada a temperatura que corresponde à
saturação, o excesso de vapor condensa-se e precipita-se em forma de água
(condensação). A umidade precipitada
durante a noite, ao baixar a temperatura do ar, é chamada orvalho. A temperatura do ar na qual a umidade atinge
a saturação é o ponto de orvalho.
O vapor d'água, por se
encontrar em forma de gás, possui a característica de penetrar através de materiais
porosos (permeáveis), que são quase todos os materiais empregados na
construção.
A migração do vapor d'água através de uma parede está relacionada
com a diferença entre a pressão de um lado da parede e a pressão do outro lado,
e com a porosidade da parede. O teor efetivo do vapor da água contido na
atmosfera está relacionado com a temperatura.
Os valores da tabela seguinte dão uma idéia das variações que
existem, tanto no peso como na pressão.
|
TEMPERATURA
OC |
UR % |
Vapor d’água Peso da água
(gramas) em 1 (um) kg de ar seco |
Pressão do Vapor d’água Kgf/m² |
|
0 |
60 |
2 |
28 |
|
12 |
60 |
5 |
84 |
|
32 |
100 |
30,5 |
492 |
|
38 |
80 |
33 |
534 |
Comparando-se as
condições 0ºC, 60% UR com 38ºC, 80% UR, verificamos que o
peso da água da segunda condição é 16,5 vezes maior do que o peso da água da
primeira condição e a pressão é da ordem de 534-28 = 506 kgf/m2.
Esta diferença de
pressão impulsiona o gás (vapor d'água) através dos materiais porosos, no
esforço de estabelecer o equilíbrio.
Na prática, as
condições que provocam o desequilíbrio de temperatura e a conseqüente pressão
do vapor d'água são, em nosso pais, a refrigeração dos ambientes. Tratando-se de simples ar condicionado, a
diferença de temperatura não atinge valores significativos para merecer maiores
cuidados, porém, nas instalações frigoríficas, é indispensável levar em conta
esse fenômeno.
Sem a prevenção contra
a migração do vapor d'água, surgem os seguintes problemas:
a) em câmaras acima de 0ºC,
a umidade migra através das paredes e pode condensar-se no interior do material
isolante térmico provocando a diminuição do efeito isolante.
b) em câmaras abaixo de 0ºC,
o efeito acima descrito é agravado pela possibilidade da água condensada
congelar-se no interior da parede ou material isolante. A água quando se congela, expande-se e com
isso, acaba por arrebentar as paredes.
Portanto, ao se construir um frigorífico ou ao se isolar termicamente
vasos ou tubos refrigerados, é preciso evitar a migração do vapor d'água.
Barreira de vapor, como
diz o próprio nome, é algo que se intercala no caminho do vapor d'água para
impedir sua passagem. Deve ser uma
membrana estanque.
A migração do vapor
d'água através de um material é expressa nos seguintes termos:
Fator de resistência à
difusão:
Este fator expressa
quantas vezes a resistência de um material é maior em comparação com uma camada
de ar, de igual espessura, na mesma temperatura.
Assim, um fator μ
= 5 significa que o material é 5 vezes mais resistente à difusão do que uma
camada de ar parado, com igual espessura e temperatura.
A quantidade de água
que passa por um material é medida nos seguintes valores:
sistema métrico: g/mh
mm Hg
unidades inglesas:
grains in/sq. ft. in Hg. h.
A determinação da
transmissão de vapor d'água é feita conforme o método ASTM E 96-66, denominado
“Water Vapour Transmission of Materials in Sheet Form” (Transmissão de vapor
d'água de materiais em forma de mantas).
Distinguem-se três
valores:
a) Transmissão de vapor
d'água, expressa em g/24h m2
b) permeância do vapor
d'água, expressa em g/24 hm2 mm Hg (metric perm) (espessura não
definida).
c) permeabilidade ao vapor
d'água, expressa em g/cm/24 hm2 mm Hg (metric perm centimeter)
(espessura das mantas definida em cm).
Para converter permeabilidade em fator de resistência
multiplica-se:
g/cm/24 h m2 mm
Hg x 0,1176 = 1
m
Fator já para
materiais, em estado seco:
|
MATERIAL |
Densidade kg/m3 |
Fator ( μ ) |
Materiais de construção
|
1.360 |
6,8 |
|
Tijolos
(lajotas) |
1.530-1.860 |
9,3-10 |
|
|
|
|
|
Telhas |
1.880 |
37-43 |
|
Concreto |
2.100 |
23 |
|
|
2.300 |
30 |
|
Telha de
fibra-cimento |
1.920 |
51 |
|
|
|
|
Materiais isolantes
|
|
|
|
Espuma de
poliuretano (sem pele) |
50 |
5,3 |
|
Espuma de
poliestireno (styropor) |
20 |
40-100 |
|
Fibra de
madeira prensada |
460 |
6,8 |
|
Cortiça
expandida |
100-140 |
5,0-30 |
|
Espuma de
vidro |
149 |
infinito |
|
Lã de vidro |
100-300 |
1,17-1,27 |
|
|
|
|
Barreira de vapor
|
|
|
|
Emulsão betuminosa com
aplicação de asfalto quente |
|
54.900-138.300 |
|
Feltro
asfáltico |
|
3.640-18.280 |
|
Papelão
betuminado |
|
11.620 |
|
Filme
plástico 25g/m2 (0,025mm) |
|
32.600-65.000 |
|
Lâmina de
alumínio 40g/m2 |
|
Infinito |
|
Pintura de
borracha clorada 0,1mm |
|
24.000-77.000 |
|
Pintura com
tinta a óleo 0,1m |
|
9.800-24.000 |
|
Mastique
asfáltico-base solvente |
|
98.000 |
|
Mastique
asfáltico-base emulsão |
|
4.434 |
Uma análise da tabela revela que somente uma lâmina metálica é
completamente estanque. Depois vêm as
camadas de produtos betuminosos (asfaltos) e os plásticos, porem já com
relativa permeabilidade.
Na vida cotidiana é
fácil reconhecer o fenômeno, observando-se o que acontece com alimentos
colocados em invólucros de plásticos.
Por exemplo: carne e queijo em sacos plásticos grossos, empacotados a
vácuo, demoram muito para desidratar.
Por outro lado, biscoitos mantidos em sacos plásticos finos absorvem a
umidade do ar em pouco tempo, ficando murchos.
Isto demonstra que a umidade migra através de um filme plástico
fino. O filme grosso e a natureza do
plástico do invólucro de carne ou de queijo oferecem mais resistência,
atrasando a migração e conservando a umidade do produto por bastante
tempo. Chamamos a atenção para o fato
de que um material pode ser impermeável à água em estado liquido, porém não
atuar como barreira de vapor.
Onde a água não passa,
o vapor d'água pode passar. Na
construção, as tintas vinílicas e algumas de silicone impedem a passagem da
água e são laváveis, entretanto deixam a parede respirar, o que não acontece
com o esmalte sintético ou a tinta a óleo.
Quando fazemos um
isolamento térmico, separamos dois ambientes de temperaturas diferentes, com o
intuito de diminuir a transmissão de calor.
Partindo da temperatura
ambiente, temos as condições de isolamento contra calor, no caso de
temperaturas mais altas, e isolamento contra frio, para temperaturas mais
baixas. O fenômeno é o mesmo, mas a
mudança das condições altera os materiais e a técnica. O vapor d'água sempre migra do lado mais
quente para o lado mais frio.
Vamos examinar alguns
casos específicos.
Construção conforme figura:

Analisando esta parede,
notamos, em primeiro lugar, a posição da barreira de vapor em relação aos
demais componentes. Ela está ao lado do
material isolante, para impedir a passagem ou diminuir a migração do vapor
d'água para o material isolante.
A barreira de vapor
precisa ter absoluta continuidade em volta da câmara, não podendo sofrer
interrupção em nenhum ponto.
Se construtivamente for
vantajoso, a barreira de vapor, feita pelo lado de fora da parede, tem o mesmo
efeito, mas quase sempre é mais prático e econômico executá-la na posição que
mostramos. Nunca deve ser colocada do
lado frio do isolante.
A qualidade da barreira
de vapor depende da natureza do revestimento interno (f).
Se o revestimento tiver
permeabilidade, igual ou maior do que a do material isolante, é suficiente
retardar a migração do vapor, pois quando este entrar no material isolante
encontrará vazão para dentro da câmara. É necessário, porém, que a umidade do
ar no interior do isolante não venha a atingir o ponto de orvalho. Outro fator é a temperatura interna. Quanto mais baixa essa temperatura, maior
será a pressão, e portanto mais estanque precisa ser a barreira de vapor.
Com um revestimento
permeável, digamos, um emboço de argamassa com pintura de cimento branco e
temperaturas não inferiores a -15 oC, a barreira de vapor não
precisa ser totalmente estanque. Basta
que ela retarde a migração.
No caso de um
revestimento relativamente estanque, como, por exemplo, azulejo ou pintura com
esmalte ou ainda chapeamento com aço (inoxidável ou galvanizado), e, em
temperaturas baixas (abaixo de – 25 oC), a barreira de vapor precisa
ser totalmente estanque.
Na prática, valem as
indicações da tabela a seguir:
|
Item |
Temperatura interna |
Tipo de revestimento |
Barreira de vapor |
1
|
Até –5ºC |
Argamassa
cimento e areia, traço 1:5, pintura com cimento branco ou outra tinta bem
permeável |
Imprimação
das paredes com emulsão asfáltica: 55% de teor de asfalto, 0,3kg/m2
ou massa asfáltica que deixa uma película seca com 1,5mm de espessura. |
|
2 |
Até –15ºC |
Idem |
Idem,
porém com 1,5 kg/m2 de asfalto ou película seca com 2mm de
espessura |
|
3 |
Até –25ºC |
Idem |
Idem,
porém com 2 kg/m2 de asfalto ou película seca com 2mm de espessura |
|
4 |
Qualquer, mesmo abaixo
–25ºC |
Qualquer,
mesmo impermeável, como azulejos, aço, pintura de esmalte, etc. |
Lâmina
de alumínio com 0,05 mm de espessura mínima (na prática usa-se 0,08 a 0,10 mm
para maior resistência) colado com adesivo apropriado. |
|
Geladeiras
cujos exteriores são de chapa ou câmeras frigoríficas a bordo de navios,
cujas paredes externas são as chapas das anteparas ou costados, dispensam a
necessidade de barreiras de vapor. |
|||
Na execução da barreira
de vapor devem ser observados os seguintes cuidados:
- aplicar os produtos
de forma uniforme;
- evitar perfurações
por menores que sejam;
- executar com
continuidade;
- na aplicação de mantas, lâminas ou filmes, executar a vedação das
juntas por sobreposição (transpasse) de, no mínimo, 5 cm.
O primeiro fato a
considerar é que o lado frio é estanque, pois constitui-se da própria parede do
vaso ou do tubo, que é de aço, não proporcionando ventilação e salda para a
umidade que penetra no isolante. Daí a
conclusão de que a barreira de vapor precisa ser estanque.
Se no interior do tubo
a temperatura for de menos, de 0ºC e a umidade chegar ao tubo,
forma-se gelo dentro do isolamento, estourando-o.
As barreiras adequadas
são:
a)Para água gelada (5ºC):
Massa asfáltica à base de emulsão ou solvente, conforme o material isolante,
formando película de O,5 mm de espessura, após seca. Sobre a espuma de poliuretano, pode ser à base de solvente. O uso de um tecido simples de vidro (não
tecido duplo) facilita o controle de espessura.
b)Para salmouras e refrigerantes (amônia, Fl2 e F22) entre 0ºC
e –10ºC:
Massa asfáltica de l mm de espessura, com tecido simples de vidro,
e acabamento com pano de algodão pintado com 2 ou 3 demãos de esmalte sintético
ou a óleo.
c) Para salmouras
ou refrigerantes, abaixo de –10ºC:
Lâmina de alumínio liso
bem ajustada ao tubo, ou lâmina de alumínio gofrado com fundo integral de
asfalto, ou lâmina de alumínio fino sobre reforço de papel Kraft.
No caso de vasos
grandes, recomenda-se a proteção mecânica por cima da barreira de vapor, com
argamassa de cimento e areia, armada com tela de arame galvanizado.
Quando se usa alumínio
liso, na espessura de 0,5 mm ou mais, ou chapa galvanizada, não há necessidade
de outra proteção. Estes revestimentos,
porém requerem muito cuidado nas juntas e sobreposições, pois estas
dificilmente ficam bem ajustadas. “JUNTER F” de
calafetação e vedação nas juntas, é indispensável.
O alumínio corrugado
serve como proteção mecânica, mas não serve como barreira de vapor. As corrugações impedem o perfeito ajuste e
vedação das sobreposições. O alumínio
corrugado é fabricado com ou sem revestimento de papel Kraft e asfalto na face
interna. Este revestimento é necessário
quando o alumínio é aplicado sobre o isolamento de um tubo quente, pois, neste
caso, o invólucro representa a face fria em relação ao tubo e, sem o papel,
provocaria condensação na superfície interna do alumínio. Quando o alumínio corrugado é aplicado sobre
o isolamento de um tubo frio, não há necessidade de papel Kraft.
Emulsão com polímero de borracha (em forma gelatinosa ou de massa)
“EMUPLÁSTICO
LÁTEX”.
Serve para coragem de
materiais isolantes e execução de barreira de vapor em câmaras frigoríficas e
tubulações. Indicações: casos
especificados nos nºs 1, 2 e 3 da tabela do item 4.1.
e nas letras "a" e "b" no item 4.2.
Indicado para barreira
de vapor e para revestimentos, nos casos especificados nas alíneas a e b do item 4.2.
É aplicado diretamente sobre o isolamento das tubulações, oferecendo também,
proteção contra as intempéries, quando as tubulações estão expostas ao tempo,
como geralmente acontece nos isolamentos onde se utilizam calhas de silicato de
cálcio.
b) ADESIVO ASFÁLTICO (“PREJUNTER”)
Indicações: coragem da
manta asfáltica sobre qualquer superfície.
c) ADESIVO ASFÁLTICO
ESPECIAL
Adesivo asfáltico
formulado para baixas temperaturas.
Indicações: coragem de isolamento de poliuretano sobre qualquer
superfície.
Manta em alumínio gofrado “MORDAL”, tendo
uma face revestida de asfalto, com 1,5mm de espessura.
Indicações: qualquer
barreira de vapor totalmente estanque, câmaras frigoríficas, tubulações e vasos
(nº 4 da tabela do item 4.1. é letra "c" do item 4.2.).