VANTAGENS DO ISOLAMENTO TÉRMICO FEITO SOBRE A IMPERMEABILIZAÇAO

 

l. INTRODUÇAO. 2

2. INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NOS MATERIAIS DE IMPERMEABILIZAÇÃO  2

3. VARIAÇOES DE TEMPERATURA NA MEMBRANA IMPERMEÁVEL  3

3.1. Membrana impermeável colocada diretamente sobre a laje. 3

3.2. Isolamento térmico por baixo da membrana. 3

3.3. Isolamento térmico sobre a membrana. 4

3.4. Avaliação. 4

4. EFEITO DA ÁGUA SOBRE OS MATERIAIS ISOLANTES TÉRMICOS  4

6. CONCLUSAO. 7

 


VANTAGENS DO ISOLAMENTO TÉRMICO FEITO SOBRE A IMPERMEABILIZAÇAO

l. INTRODUÇAO

Tradicionalmente, quando se deseja isolar termicamente a laje de cobertura de uma edificação, o isolamento é feito por baixo da impermeabilização.

Esta prática é fundamentada no fato de que os materiais isolantes absorvem água e assim perdem parte do seu efeito isolante.

A colocação da membrana impermeável por cima do isolamento térmico acelera o processo de deterioração dos materiais que compõem a membrana, pois sujeita-a a grandes variações de temperatura.  Por este motivo, estudiosos do assunto vêm-se preocupando com o problema.

No Simpósio sobre a Tecnologia das Coberturas, no National Bureau of Standards, U.S.A., em setembro de 1977, procurou-se demonstrar o erro do procedimento tradicional e provar as vantagens da execução do "Sistema Invertido", no qual o isolamento térmico é feito por cima da impermeabilização.

2. INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NOS MATERIAIS DE IMPERMEABILIZAÇÃO

As membranas impermeáveis são constituídas geralmente de materiais orgânicos, entre os quais o betume - asfáltico que, transformado em asfalto oxidado, é o produto predominante.  Há outros materiais à base de polímeros, como plásticos e borrachas sintéticas, que fundamentalmente são Hidrocarbonetos.

Os impermeabilizantes inorgânicos são rígidos e não satisfazem às exigências de uma membrana impermeável. Os asfaltos e plásticos sofrem deterioração acentuada quando expostos ao sol, (raios infra - vermelhos e ultra - violetas), ao oxigênio, ao ozônio e às variações de temperatura.

Um estudo apresentado no referido simpósio mostra que a degradação        química do asfalto tem como causa principal a oxidação e aumenta exponencialmente com a elevação da temperatura - duplicada em cada 10ºC (P.  G. Campbeli - J.R. Wright - P. B. Bowman, em "The Effect of Temperature and Humidity on the Oxidation of Air-Biown Asphalts", Materials Research and Standards, Vol. 2, Nº 12, ASTM, December, 1962, pg. 988).

3. VARIAÇOES DE TEMPERATURA NA MEMBRANA IMPERMEÁVEL

Através de desenhos mostraremos a seguir as curvas de temperatura das lajes impermeabilizadas de formas diversas e submetidas ao sol de verão.

Neles, as diversas camadas estão assim representadas:

a)revestimento de proteção;

b)membrana impermeável;

c) laje de concreto;

d)isolamento térmico.

3.1. Membrana impermeável colocada diretamente sobre a laje.

Neste caso a temperatura da membrana estará próxima à da laje, que é boa condutora de calor, pois o gradiente do lado externo para o lado interno será relativamente pequeno.

3.2. Isolamento térmico por baixo da membrana

Quando o isolamento térmico é colocado por baixo da membrana impermeável a curva da temperatura tomará o seguinte aspecto:

3.3. Isolamento térmico sobre a membrana

No caso da colocação invertida, com o isolamento térmico sobre a membrana impermeável, a curva da temperatura ficará assim:

3.4. Avaliação

Uma análise das três condições acima descritas, baseadas em condições de temperatura durante o verão, mostra que a membrana sobre o isolamento pode atingir 60 oC e, no caso inverso, somente 25 a 30 ºC.  Sem o isolamento térmico a temperatura da membrana poderá atingir 50 ºC.

Considerando o efeito negativo do calor sobre as membranas impermeáveis, a demonstração acima é suficiente para provar a necessidade do isolamento térmico por cima da membrana.

4. EFEITO DA ÁGUA SOBRE OS MATERIAIS ISOLANTES TÉRMICOS

Os principais isolantes térmicos para emprego em laje de cobertura são.

- Espuma rígida de poliestireno extrudada;

- espuma de cimento ou concreto celular;

- poliestireno expandido a partir de pérolas (densidade mínima necessária 25kg/m3);

- argila expandida.

A espuma rígida de poliestireno extrudada marca "Styrofoam" é o único material isolante que não absorve água. todos os demais materiais absorvem uma certa quantidade de água.

A simples absorção de água não diminui significativamente o efeito isolante do material, mas o seu congelamento, que ocorre geralmente em países de clima frio (temperaturas abaixo de 0 oC), constitui problema relevante, pois provoca o arrebentamento do mesmo.

No Brasil, a maior preocupação é com as temperaturas elevadas.  Já ocorreram casos, no Rio de Janeiro, em que o poliestireno expandido derreteu-se sob a ação do calor.

Para se obter um bom isolamento térmico, é necessário estudar cada caso e escolher o material e a solução que proporcionem o desempenho desejado.

A tabela seguinte, cujos dados foram também extraídos de um dos trabalhos do simpósio, mostra-nos o desempenho das placas de poliuretano sem pele em isolamentos térmicos de cobertura (tostes com amostras), em países de clima frio:

EFEITOS DA ABSORÇÃO DA ÁGUA

Local da obra

Espessura polegada

Densidade kg/m3

Tempo anos

Propriedade do isolamento após os anos de serviço

 

Braunshweig Alemanha

2

32

2

Absorção água % volume 1,72

Fator μ kcal/m2 0ºC

 

0,021

Fator μ publicado

 

0,016 a 0,020

Saskatoon Canadá

2

32

4

* 4,5

** 12,0

0,026

0,033

0,06 a 0,020

Saskatoon Canadá

2

32

5

* 5,1

** 17,0

0,027

0,041

0,016 a 0,020

* média de 3 amostras

** máxima encontrada

As placas de poliestireno rígido extrusado passaram a ser produzidas no Brasil a partir de 1985 e são as mais indicadas para o "Sistema Invertido" em virtude de não absorverem água e serem dimensionalmente estáveis.

5. EXPERIÊNCIAS REALIZADAS NO BRASIL

Foram executados no Brasil vários trabalhos com espuma rígida de poliuretano em forma de placas e por pulverização (spray), sem qualquer problema.  As placas mantiveram sua estabilidade dimensional e não se deterioraram, mesmo quando encharcadas com água. É de se presumir que nas estiagens as placas sequem normalmente.  Não existe, porém, pesquisa sobre o assunto.

Quando o isolamento térmico é importante, no sentido de diminuir o fluxo de calor que penetra em ambientes de ar condicionado, sua espessura é duplicada para compensar o aumento da condutibilidade térmica devido ao umedecimento do material.  Quando o isolamento tem apenas a função de proteger a membrana impermeável e a estrutura, não é necessária a duplicação.

Para avaliar os efeitos do isolamento térmico sobre as membranas impermeáveis, utilizamos placas de concreto de 50 cm x 50 cm, cobertas com manta asfáltica e recobertas com diversos materiais, tais como:

- cimentado de 2 a 4 cm de espessura;

- piso asfáltico de 2 a 3 cm de espessura;

- placas de poliuretano de 1,2 a 2 cm de espessura, cobertas com cimentado de 2 cm de espessura.

Após um ano de exposição, ao tempo, foram retirados quadrados de 15 cm x 15 cm para exame da manta asiática e registradas as seguintes observações:

a)O endurecimento do asfalto torna-se bem mais significativo nos casos de cobertura com cimentado e piso asiático de 2 cm de espessura, do que quando protegido com poliuretano, cimentados de 4 cm de espessura e manta de alumínio gofrado.

b)por falta de dados comparativos, não é possível prever os valores para o futuro, mas no caso acima, a diferença foi notável e confirmou o que foi narrado no simpósio (ver item 2).

c) as placas de poliuretano das amostras continham água ao serem retiradas e mesmo assim seu efeito isolante sobre a membrana asfáltica foi constatado.

6. CONCLUSAO

O isolamento térmico por cima das membranas impermeáveis deve ser recomendado a todos os que desejam a máxima vida útil da impermeabilização.