ASFALTOS
3. EMULSOES ASFÁLTICAS ANIÔNICAS
5. ASFALTO OXIDADO POR CATÁLISE
ASFALTOS
O asfalto é um produto
orgânico, composto por hidrocarbonetos pesados que, juntamente com fuel oil,
graxas, carvão e petrolato, constituem os resíduos da destilação fracionada do
petróleo. Pode também ser encontrado
livre em afloramentos, puro ou misturado em minerais e outras substâncias, e
ainda impregnando estruturas porosas, denominadas rochas asfálticas. Pode-se definir o asfalto como um composto
de materiais aglomerantes, constituídos por misturas complexas de hidrocarbonetos
não voláteis de elevada massa molecular.
O asfalto é material de
particular interesse para a engenharia, por ser um aglomerante resistente, com
grande adesividade, altamente impermeável e de grande duração.
É uma substância com
características reológicas, cujo comportamento físico varia com a temperatura,
passando do sólido ao plástico e deste ao líquido, com o aumento da
temperatura. Se bem que seja uma
substância sólida ou semi - sólida na temperatura atmosférica normal, pode-se
liquefazê-la facilmente, por aplicação de calor, pela ação de solventes de
características voláteis ou por emulsificações. Quase todos os asfaltos produzidos e empregados no mundo são
obtidos pela destilação do petróleo.
O asfalto pode ser
produzido numa variedade de tipos e qualidades que vão desde sólidos até líquidos
quase tão fluidos como a própria água.
O tipo semi - sólido, conhecido como betume asfáltico, é o material
básico. Os produtos asfálticos líquidos
são preparados geralmente dissolvendo-se os betumes asfálticos e misturando-os
com um destilado de petróleo, ou ainda emulsificando-os com água.
Dada a crise energética
mundial e seus efeitos nos custos da construção, empresas que empregam emulsões
asfálticas nas impermeabilizações, pelo seu perfeito desempenho, vêm cada vez
mais desenvolvendo seus produtos utilizando a água como solvente.
Os asfaltos oxidados em
estado sólido precisam ser aquecidos ou derretidos antes da aplicação, o que
normalmente é feito no interior da obra, por meio de fogueira ou queima de
óleo. O aquecimento do asfalto na obra
tem a desvantagem dê promover uma nova oxidação do asfalto sem os controles
adequados, além de onerar os custos e de contribuir em muito para a poluição do
meio - ambiente.
Assim, quanto menos
utilizarmos em nossos produtos solventes à base de petróleo, mais estaremos
zelando por nossa própria economia e sobrevivência.
Esse procedimento é um
imperativo do mundo moderno e um dever de todo cidadão para com a sociedade.
Os tipos de asfalto
normalmente usados são:
a)cimentos asfálticos
de petróleo (CAP);
b)asfaltos diluídos de
petróleo (ADP);
c) emulsões asfálticas iônicas, não - iônicas e
catiônicas;
d)emulsões asfálticas
aniônicas;
e)asfaltos oxidados por
catálise (catalíticos).
g)asfaltos poliméricos.
Os três primeiros tipos são normalmente usados em pavimentações de
estradas, e os outros, em impermeabilizações.
As emulsões asfálticas apresentam grandes vantagens sobre os
asfaltos diluídos e os cimentos asfálticos, razão porque seu uso tem aumentado
constantemente. Uma emulsão asfáltica
consiste em finíssimas gotículas de asfalto dispersas na água por meio de um
agente emulsificador. Os agentes emulsificadores de asfalto apresentam as
moléculas constituídas por dois grupos funcionais: o polar e não polar. O grupo polar é solúvel em água e o grupo
não polar (usualmente uma longa cadeia de hidrocarbonetos) solubiliza o
asfalto. A maioria dos agentes
emulsificadores dissociam-se, na água, em ânions (partículas negativas) e
cátions (partículas positivas).
Quando a película
interfacial de emulsificantes que envolve as gotículas (micelas) de asfalto é
carregada negativamente, o agente emulsificador é chamado aniônico.
Ao contrário, quando a
película interfacial é carregada positivamente, o agente emulsificador é
chamado catiônico. Trataremos aqui
particularmente das emulsões aniônicas por serem as mais usadas em
impermeabilizarão
A emulsão asfáltica
aniônica é fabricada à base de betume asfáltico, que é emulsificado na presença
de material coloidal inerte, anexado por processo especial.
Os agentes
emulsificantes têm a propriedade de concentrar-se na superfície da partícula de
asfalto. Por conseguinte, a
concentração de muitas moléculas do agente emulsificante forma uma película de
moléculas emulsificantes em torno das gotículas de asfalto, denominada
"película interfacial". Como
todas as gotículas de asfalto carregadas negativamente são envolvidas por íons
de álcalis metálicos positivamente carregados, elas passam a se repelir
mutuamente, deixando a emulsão estável.
Assim como o engenheiro
trabalhando com argamassas deve adaptar os traços às variações de material e
condições ambientais, a indústria deve fornecer, aos aplicadores, uma emulsão
de grande flexibilidade, com o objetivo constante da qualidade e da segurança
na. aplicação.
O emulsificante atua
como estabilizador, não permitindo o rompimento das emulsões estáveis durante a
estocagem. Recomenda-se a intercalação,
entre as pinturas de emulsões asfálticas aniônicas, de véu de vidro simples ou,
melhor ainda, de tecido de vidro, como indicador da espessura do que está sendo
pintado e como elemento de amarração entre as películas (o véu de vidro e o
feltro - asfáltico não são materiais impermeáveis).
Este sistema é melhor
do que o do asfalto oxidado, aquecido por fogo direto sob os tambores, pois o
aquecimento excessivo destrói as propriedades plásticas do asfalto oxidado.
As emulsões inversas
(hidro-asfaltos) não são recomendáveis pois contêm elevado índice de absorção
de água.
A norma ASTM 1227-65,
intitulada "Emulsões asfálticas para uso como camadas protetoras de
coberturas em sistema multi-capa", recomenda que o produto tenha as
seguintes características:
|
Peso por litro |
1,140 kg |
|
Resíduo
de evaporação % |
mín. 40 – máx. 60 |
|
Água %
|
mín. 40 – máx. 60 |
|
Cinzas
das partes não voláteis |
mín. 30 – máx. 50 |
|
Base
orgânica não volátil |
asfalto |
|
Reforços inorgânicos |
cargas minerais |
|
Endurecimento
|
24 horas no máximo |
|
Resistência
ao calor |
não deve escorrer,
fluir ou criar bolhas a 100ºC |
|
Flexibilidade
|
não deve rachar |
|
Resistência à água |
não
deve criar bolhas ou reemulsificar-se |
|
Teste de chama |
a
película deve se carbonizar, no lugar. |
Os ensaios são feitos
conforme a ASTM D-1667. A emulsão deve
ter consistência que permita a sua aplicação com broxa ou escovão, na razão de
1 litro/m2 sem escorrer,
mesmo em superfícies verticais.
Os asfaltos fornecidos
pelas refinarias de petróleo são geralmente de penetração 85/100. São resíduos de destilação do petróleo cru,
processo pelo qual são retiradas as frações mais leves. As propriedades do asfalto assim obtido
variam com a origem, as características do petróleo e a maneira de sua
extração.
Os asfaltos normalmente
empregados em impermeabilização,
conforme a Norma ASTM
D-449-71, são de três tipos: A, B e C.
Pelo texto da Norma, o
tipo "A" é um asfalto macio, com adesividade e
"Self-Healing", o que significa que o produto é bastante fluido ou
dúctil para fechar um furo, caso seja rompida a película. Este asfalto é indicado para serviços abaixo
do nível do solo, sob condições d.e temperatura moderada e uniforme. O tipo "B" é um asfalto menos
sensível, com qualidades adesivas e "Self-Healing", e pode ser usado
acima do nível do solo, quando a temperatura não excede a 52 oC. O tipo "C" é um asfalto menos
sensível do que o tipo "b", com boas qualidades adesivas, para uso
acima do nível do solo, em superfícies verticais e onde a temperatura pode
subir acima de 52 oC. Os
indicadores destas propriedades são a medição da penetração e a temperatura do
amolecimento (ensaio de anel e bola).
Quanto maior a penetração, mais macio é o asfalto. Os asfaltos de pouca penetração são duros.
(ASFALTO CATALÍTICO)
Asfalto oxidado é um
betume asfáltico cujas características foram modificadas pela passagem de ar
através de sua massa aquecida. Este
tratamento produz importantes alterações em suas propriedades, principalmente
quanto à diminuição de sua suscetibilidade térmica, quer dizer, da tendência a
modificar a sua consistência pelo efeito da temperatura, observada praticamente
pelo índice de penetração e ponto de amolecimento.
Quando a reação de
oxidação do betume asfáltico ocorre na presença de agentes catalisadores, o
processo é chamado de OXIDAÇAO CATALITICA.
Pela ação dos catalisadores a velocidade da reação é alterada,
permitindo que a oxidação se processe de forma mais rápida e homogênea em toda
a massa, além de possibilitar um maior controle do processo e das
características do produto final.
Dependendo da
finalidade a que se destine, os asfaltos oxidados também poderão receber
diferentes tipos de aditivos poliméricos, com a finalidade de aumentar sua
plasticidade, pegajosidade, resistência ao intemperismo e à oxidação.
A tabela seguinte nos
mostra, de forma comparativa, as propriedades do asfalto catalítico e dos
asfaltos tipo A, B e C:
ENSAIOS
|
Tipo A |
Tipo
B |
Tipo
C |
Para comparação Asfalto
catalítico |
||||
|
Mín. |
Máx. |
Mín. |
Máx. |
Mín. |
Máx. |
Mín. |
Máx. |
|
|
Ponto de amolecimento
(anel de bola) (0ºC) |
46 |
63 |
63 |
77 |
82 |
93 |
80 |
- |
|
Ponto de fulgor (0ºC) |
175 |
- |
205 |
- |
205 |
- |
175 |
- |
|
Penetração, 25ºC,
100 g, 5 Seg. |
50 |
100 |
25 |
50 |
20 |
40 |
45 |
- |
|
Ductilidade, 25ºC,
50 cm/min (cm) |
30 |
- |
1,5 |
- |
2 |
- |
30 |
- |
|
Perdas por aquecimento
a 163ºC (%) |
- |
2 |
- |
1 |
- |
1 |
- |
1 |
|
Penetração do resíduo
original(%) |
60 |
- |
60 |
- |
60 |
- |
80 |
- |
|
Betume solúvel em
sulfeto de carbono (%) |
99 |
- |
99 |
- |
99 |
- |
99 |
- |
|
Cinzas (%) |
- |
1 |
- |
1 |
- |
1 |
- |
1 |
Pode-se verificar que o
asfalto catalítico reúne as propriedades dos tipos "A", "B"
e "C" e, portanto, é indicado para emprego em qualquer circunstância,
seja no subsolo, no piano horizontal ou no piano vertical exposto ao sol. Sua temperatura mínima de amolecimento é de
80ºC, atingindo a faixa do tipo "C" que é de 82 a 93ºC. Sua penetração para as condições de ensaio a
25ºC, 100 g de peso e 5 seg., é de 45 décimos, no mínimo (em média
acima de 50), aproximando-se da do tipo "A", cuja faixa é de 50 a 100
décimo de milímetro.
O asfalto polimérico é
um novo asfalto, resultado do desenvolvimento da petroquímica.
Substitui com vantagem
os asfaltos oxidados em seus usos tradicionais. Em comparação com o asfalto oxidado, apresenta as seguintes
vantagens:
1ª Maior estabilidade
térmica
Conforme as
necessidades, pode ser formulado para não quebrar a temperatura abaixo de 0ºC e
para não escorrer a 100ºC.
2ª Maior
aderência
Possui maior poder de
aderência sobre as superfícies onde é aplicado.
3ª Menor
índice de envelhecimento
A grande superioridade deste asfalto reside na sua extraordinária
capacidade de resistir ao envelhecimento, sofrendo pouca alteração, mesmo
quando a proteção for relativamente precária.
|
As propriedades de um
asfalto polimérico típico são as seguintes: |
|
|
a) - Ponto de
amolecimento (Anel e bola) (ºC) |
95 |
|
b) - Penetração a 25ºC,
100 g em 5 Seg |
30 |
|
c) - Ponto de fulgor em
ºC |
250 |
|
d) - Densidade |
1,0 |
Por possuir estas
características, o asfalto polimérico deve ser especificado para mantas
asfálticas, pois constituirá o mais eficiente material atualmente disponível
para uso em impermeabilizações.